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Com policiais em greve, Espírito Santo tem onda de crimes

Familiares de Pms impedem saída de viaturas do Quartel. Foto: Gabriel Lordello/FolhapressA greve de policiais militares no Espírito Santo provocou uma onda de violência que resultou em mortes, saques, interrupção de aulas nas escolas, paralisação de ônibus e fechamento de shoppings na Grande Vitória. A escalada da violência após a deflagração da greve, na última sexta-feira (3), fez o Estado pedir apoio do Exército e da Força Nacional. O governo federal enviaria 200 homens da Força Nacional, além de militares das Forças Armadas, que já estavam nas ruas da capital no início da noite desta segunda (6).

Desde sábado (4), foram registrados 52 homicídios no Estado, contra uma média de quatro por dia, de acordo com o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo. Questionada, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social não informou o total de mortes. Pelo menos dois ônibus foram incendiados, e houve saques em lojas.

Com o avanço da violência, moradores relatam o medo de andar nas ruas de Vitória até mesmo durante o dia, o que fez seis shopping centers ficarem fechados à tarde, com receio de saques. As ruas da capital capixaba também ficaram praticamente vazias, já que comerciantes evitaram abrir as portas e o transporte coletivo foi paralisado.

A Prefeitura de Vitória ainda suspendeu as aulas nas escolas municipais, o expediente nas repartições e o atendimento em unidades de saúde – até a vacinação contra a febre amarela foi atingida. “A paralisação estava marcada para as 16h, mas às 14h já não havia ônibus no terminal de Itacibá. Muita gente teve de usar táxi”, afirmou a auxiliar de serviços gerais Patrícia Moraes, 33.

Em Serra, com a interrupção do transporte, usuários do sistema pegaram por conta própria um ônibus no terminal de Carapina. O veículo, que estava parado, foi invadido por usuários e um deles deixou a estação dirigindo.

Desde sexta-feira, familiares de Pms fazem manifestações em frente aos batalhões da corporação, impedindo a saída de carros para o patrulhamento. A Constituição proíbe PMs de fazerem greve. Diante disso, associações de policiais negam estar na organização do movimento grevista. Para o desembargador Robson Luiz Albanez, trata-se de uma “greve branca” e “velada” dos policiais. Albanez afirmou que os familiares têm o apoio das associações de policiais.

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