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Com piora da pandemia, ABC voltou a fechar vagas formais em março

Com piora da pandemia, região voltou a fechar vagas formais em março
Em meio ao fechamento de atividades não essenciais, ABC eliminou 180 postos de trabalho no mês passado

No mês em que as ativi­da­des econômicas conside­ra­­da­s não essenciais tiveram de bai­xar as portas de­vido ao re­cru­des­ci­men­to da pandemia de covid-19, o mer­cado de tra­ba­­lho do ABC voltou a fechar va­gas com carteira assinada após dois meses de ex­pres­­­sivo aumento na ocupação formal.

Em março foram extintos 180 postos de trabalho, como resultado de 25.492 admissões e 25.672 desligamentos, segundo dados do No­vo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem (28) pelo Mi­nistério da Economia e compilados pelo Diário Regional.

Foi em março que o governador João Doria (PSDB) regrediu o Estado à fa­­­se verme­lha e, depois, à emergencial do Plano São Paulo, com o fechamento de shoppings, ba­­res e restaurantes para aten­di­men­to presencial, bem co­mo de cinemas e parques. A medida foi adotada para conter o contágio e aliviar a pressão sobre os hospitais.

Não por acaso, comércio e serviços foram os setores com os piores resultados em março, com o fechamento líquido (demissões em maior quantidade do que admis­sões) de 309 e 930 vagas, respectivamente (veja quadro ao lado).

No comércio, o saldo ne­ga­­tivo foi puxado pelo varejo, que eliminou 480 empregos, en­quanto o atacado criou 174. É no varejo que o Caged inclui, por exemplo, as lojas de móveis e vestuário, que ficaram fechadas durante a fase mais aguda da segunda onda da pandemia.

Nos serviços, o resulta­­do decorreu, principalmen­te, de va­gas formais extintas nos sub­setores de alimentação (-385) e de locação de mão de obra temporária (-1.202).

A expectativa é de que esses setores repitam resultados negativos em abril, uma vez que as restrições adotadas pelo Estado para frear o avanço da covid-19 se prolongaram por boa parte deste mês.

Além disso, a reedição do Benefício Emer­gencial de Pre­servação do Emprego e da Ren­­da (BEm) só foi assinada na última terça-feira pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O programa – que per­mite re­dução de jornada e salários e suspensão dos contratos de trabalho, com uma compensação parcial dada pelo governo – ajudou a conter demis­sões no ano passado, mas demo­rou a ser adotado em 2021.

Em 2020, segundo o Ministério da Economia, as empresas do ABC assinaram 466 mil acordos de suspensão de contrato ou redução de salário.

No sentido inverso, a cons­trução civil criou 899 postos de trabalho em março. Apesar do resultado positivo, o Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) expressou preocupação com a perspectiva da paralisação de obras de habitação popular, decorrente do corte de verbas no orçamento federal. Segundo a entidade, estão ameaçadas 215 mil obras no país, responsáveis por 400 mil empregos.

A indústria, por sua vez, abriu 163 postos de trabalho em março – resultado pu­xado, principalmente, pelo seg­men­to de produtos de borracha e plástico, que criou 280 vagas.

O setor automotivo, por sua vez, fechou 280 vagas em março. O mês foi marcado pe­la suspensão da produção nas cinco montadoras com unida­des no ABC (Volkswagen, Mercedes-Benz, Scania, Toyota e General Motors), devido ao agravamento da pandemia e à escassez global de componentes eletrônicos.

TRIMESTRE

Apesar do resultado ne­ga­tivo em março, o mercado de trabalho formal do ABC encerrou o primeiro trimestre de 2021 no “azul”. De janeiro a março fo­ram criados 8.162 empregos na região. O resultado é melhor que o obtido no primeiro trimestre do ano passado, quando foram fechadas 3.153 vagas.

Em janeiro do ano passado, o Caged foi substituído pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) para as empresas.  No chamado Novo Caged, os dados são mais abrangentes (incluindo, por exemplo, trabalhadores temporários), o que inviabiliza comparações com anos anteriores.

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