Economia, Notícias

Com pandemia, PIB brasileiro caiu 4,1% em 2020, pior resultado em 24 anos

Queda interrompeu três anos consecutivos de crescimento, de 2017 a 2019, quando a produção de riquezas no país acumulou alta de 4,6%. Arte: Anderson Amaral
Queda interrompeu três anos consecutivos de crescimento, de 2017 a 2019, quando a produção de riquezas no país acumulou alta de 4,6%. Arte: Anderson Amaral

O Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 3,2% no quarto trimestre de 2020, mas encerrou o ano com queda de 4,1%, totalizando R$ 7,4 tri­lhões. É o maior recuo anual da série iniciada em 1996 pelo Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa queda interrompeu o crescimento de três anos seguidos, de 2017 a 2019, quando o PIB acumulou alta de 4,6%. O PIB per capita alcançou R$ 35.172 no ano passado, recuo recorde de 4,8%.

Os dados foram divulgados ontem (3), pelo IBGE. “O resultado é efeito da pandemia de covid-19, que paralisou parcial ou totalmente várias atividades econômicas para contro­le da dis­seminação do vírus. Mesmo quando começou a flexibilização do distanciamento so­cial, muitas pessoas permane­ceram receosas de consumir, principalmente os serviços, que podem provocar aglomeração”, analisou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

As medidas causaram pouco impacto no PIB do primeiro trimestre do ano, que teve queda de 1,5%, e afetaram em cheio o indicador no segundo trimestre, com queda histórica de 9,7%. A economia deu sinais de melhora no terceiro trimestre, com alta de 7,7%, mas desacelerou nos últimos meses com o fim do pagamento do auxílio emergencial.

Em 2020, os serviços enco­lheram 4,5% e a indústria, 3,5%. Somados, esses dois setores representam 95% da econo­­mia brasileira. Por outro lado, a agropecuária cresceu 2,0%.

Nos serviços, o pior resultado veio de outras atividades de serviços (-12,1%), que são restaurantes, academias e hotéis. “Os serviços prestados às famílias foram os mais afetados negativamente pelas restrições de funcionamento. A segunda maior queda ocorreu em transportes, armazenagem e correio (-9,2%), principalmente o transporte de passageiros, atividade também muito afetada pela pan­demia”, acrescentou Rebeca.

Na indústria (-3,5), o des­ta­que negativo foi o desempe­nho da construção (-7,0%), que voltou a cair depois da alta de 1,5% em 2019. Também apresentaram queda as indústrias de transformação (-4,3%), influenciadas pelo recuo na fabricação de veículos automotores.

A agropecuária cresceu, no ano, 2,0%, puxada pela produção de soja (7,1%) e café (24,4%), que alcançaram resultados recordes na série histórica do IBGE.

Pelo lado da demanda, todos os componentes recuaram em 2020. O consumo das famílias teve o pior resultado da série histórica (-5,5%). Isso pode ser explicado, segundo Rebeca, pela piora no mercado de trabalho e pela necessidade de distanciamento social. A queda no consumo do governo também foi recorde (-4,7%). Os investimentos caíram 0,8%, encerrando sequência de dois anos positivos.

RANKING

Segundo a agência de classificação de risco Austin Rating, o Brasil deixou de figurar entre as dez maiores do mundo, passando ao 12º lugar, com 1,6% do PIB global.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*