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Com lançamento no Brasil adiado devido à pandemia, novo Peugeot 208 mostra atributos na Europa

Com lançamento no Brasil adiado devido à pandemia, novo Peugeot 208 mostra atributos na Europa
Garras desenhadas nos conjuntos óticos e dentes cravado nos para-choque dão à versão PureTech ar “malvado”; na traseira, uma faixa plástica une as lanternas. Foto: António Pereira/Absolute Motors/Portugal

ANTÔNIO PEREIRA
Absolute Motors/Portugal
LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
AutoMotrix

A apresentação do novo Peugeot 208 no Brasil estava prevista para maio, mas foi adia­da de­vido à quarentena imposta para conter a pandemia da co­vid-19. Agora, o hatch só virá no segundo semestre. Na Europa, o carro foi lançado no ano passado e arrebatou vários prêmios, inclusive o Car of the Year, concedido por um coletivo de várias revistas.

O novo 208 que virá para o mercado brasileiro será fabricado em El Palomar, na Argentina, e terá exatamente a mesma aparência da versão europeia. A fábrica de Porto Real (RJ), onde era produzida a geração anterior, será destinada ao futuro 1008, utilitário esportivo feito sobre a mesma plataforma CMP do novo 208, e alguns modelos da Citroën, parceira da Peugeot.

A versão top do novo 208 deve marcar a estreia brasileira do motor 1.2 turbo com inje­ção direta. Na Europa, uma das versões que adotam esse pro­pul­sor é a PureTech 100 Auto GT Line. Essa configuração es­ti­losa deixa claro que a marca criou a nova gera­ção do 208 para se posicio­nar no topo de um dos seg­men­tos mais importantes do mercado eu­ro­peu e também brasilei­ro: o de hatches premium.

O novo 208 começa a seduzir pela aparência externa. É um carro ao qual poucos ficarão indiferentes e que a maioria parece apreciar. Com muita agressividade e ousadia, possui for­­mas vanguar­distas explicitamente Peu­geot, mas sem que o 208 se asseme­lhe excessiva­mente a qualquer outro modelo da marca.

O hatch ostenta apreciável dinamismo estilístico, atributo reforçado na versão GT Line. O emblema GT Line colocado na coluna traseira, as três “garras” que definem a assinatura visual dos grupos ópticos dianteiros e traseiros, a dupla ponteira do escapamento e as belas rodas em liga de 17 polegadas são os elementos estéticos mais marcantes. As abas dos para-lamas em preto brilhante – mesmo tom usado nas carenagens dos retrovisores, nas molduras das janelas, no defletor traseiro e na faixa que une as lanternas – ressaltam o ar “malvado” da versão.

No interior, a esportividade também impera, mais ainda na versão GT Line. O sistema de infoentretenimento tem tela de sete polegadas (com opção de dez polegadas, como na unidade testada) e é dotado de botões tipo teclas de piano sensíveis ao toque. O evoluído painel de ins­trumentos é totalmente digital e configurável, com múltiplos mostradores, alguns projetados em profundidade, para efeito 3D.

A versão 1.2 PureTech 100 Auto GT Line traz airbags frontais, laterais e de cortina, controle eletrônico de estabilidade, sistema de frenagem automática de emergência com alerta de colisão frontal, leitura de sinais de trânsito, assistente de manutenção na faixa, sistema pa­ra saída em aclives, freio de estacionamento elétrico, bancos parcialmente em couro, volante esportivo multifuncional em couro, direção com assistência elétrica variável, sensores de estacionamento, monitoramento da pressão dos pneus e outros itens corriqueiros.

Sob o capô está uma das gran­des atrações do novo 208: o motor 1.2 Pure Tech. Trata-se de um tricilíndrico com injeção direta de combustível, turbocompressor e intercooler, que pode ter configurações de até 130 cv – no modelo avaliado, a potência fica limitada a 100 cv, para se posicionar em uma faixa tributária europeia mais favorá­vel. Nessa configuração, combinados ao câmbio automático de oito velocidades, os 100 cavalos são atingidos aos 5.500 rpm e os 20,9 kgfm estão disponíveis a partir de 1.750 rpm. Segundo a Peugeot, essa versão faz de zero a 100 km/h em 11,9 segundos e atinge a velocidade máxima de 188 km/h, com média de consumo de 17,2 km/l com gasolina.

Por ser uma versão equipada e com estilo caprichado, a GT Line não é barata. Na Europa, custa € 24.370, o equi­valente a R$ 136 mil. Para o Brasil, o mais provável é que o 208 argentino venha inicialmente com o motor 1.6 aspirado, que rende 115 cv com gasolina e 118 cv com etanol. Há também a possibilidade de ser adotado o mesmo 1.2 Puretech aspirado flex que move a versão atualmente produzida em Porto Real, com 84 cv e 12,2 kgfm na gasolina e 90 cv e 13 kgfm no etanol. O motor 1.2 turbo Puretech, em uma inédita configuração flex com potência em torno de 130 cv, chegará posteriormente na versão GT Line.

O novo 208 disputará consumidores com Volkswagen Po­lo, Hyundai HB20 e GM Onix.

 

Motor oferece desempenho convincente e baixo consumo

O principal trunfo do novo 208 1.2 PureTech 100 Auto GT Line é seu desempenho dinâmico. O pequeno três ci­lindros de 1.199 cm³, com 100 cv, é uma presença que mal se faz sentir, mesmo a regimes mais elevados e em situações de maior esforço, seja pelo seu funcionamento suave e silencioso, seja pelo bom trabalho no isolamento do habitáculo. A exceção a essa re­gra ocorre quando é seleciona­do o modo de condução Sport, que se traduz em respostas mais assertivas e barulhentas.

Essa filtragem eficiente de ruídos e vibrações pode transmitir aos menos avisados a falsa sensação de “anemia” do propulsor. Embora a potência restrita aos 100 cv dessa configuração europeia não seja tão impressionante, o torque de 20,9 kgfm é bem expressivo para um hatch desse porte – é o torque que faz a diferença no prazer ao dirigir, pelo menos até os 150 km/h.

A suave caixa automática de oito velocidades incrementa o conforto de utilização. Subindo rapidamente de rotação e exi­bindo uma resposta pronta em um amplo leque de regimes, o 208 GT Line proporciona bons momentos ao volante aos adeptos de um estilo mais veloz.

O 208 GT Line oferece três modos de condução – Eco, Normal e Sport. No modo Eco, a res­posta do motor é nitida­mente menos célere, com trans­missão mais orientada para a eficiência de combustível. Uma combina­ção interessante é a que conjuga o modo Normal do motor com a opção manual da caixa de velocidades, que permite antecipar as reduções por meio das abas no volante.

Além de performances convincentes, o motor 1.2 turbo de três cilindros oferece consumos contidos, mesmo quando combinado com a caixa automática. Especialmente se selecionado o modo de condução Eco, também em cidades o 208 registra médias surpreendentes. Em uma utilização urbana normal e civilizada, a média facilmente se situa em torno dos 14 km/l.

Se a nova plataforma CMP não oferece a mais generosa das habitabilidades, garante em contrapartida bom equilíbrio di­nâmico. Nas versões GT Line, dotadas de afinação de chassi mais firme, a facilidade de condução alia-se ao nível de conforto dos melhores do segmento.

Porém, é no ritmo mais exigente, especialmente em trechos sinuosos, que o 208 GT Line revela o melhor de si. A direção, bem assistida e direta, permite inserir com precisão a frente do carro onde e quando se preten­de. O controle eletrônico de estabilidade só intervém quando preci­so. Quando intervém, mal se nota sua atuação, seja na frenagem individual das rodas ou na gestão do torque transmitido por meio da modulação da aceleração.

Muito ágil, reativo e obediente, o novo 208 GT Line, é um dos produtos mais esportivos de seu segmento. Na versão GT Line flex que deve vir ao Brasil, com potência de cerca de 130 cv, será um foguete.

 

Interior é requintado, mas espaço deixa a desejar no banco traseiro

Tudo é muito elegante na versão GT Line do novo Peugeot 208. O acabamento tem aspecto bem requintado e de qualidade. Merecem destaque os bancos com costuras contrastantes ver­­des, o volante em couro de dimensões reduzidas e base e topo planos (com emblema GT Line e as mesmas costuras verdes), a pedaleira em alumínio, os revestimentos imitando carbono, o console central em black piano e a manopla de comando da caixa de câmbio de inspiração aeronáutica, já adotada em outros modelos da marca.

Se a habitabilidade dianteira é correta, mesmo sem deslumbrar, atrás o espaço é somente aceitável e para não mais do que dois adultos – o acesso a esses lugares também não é o mais fácil. Do mesmo modo, a capacidade do porta-malas (311 litros) se alinha por baixo com a média do segmento, e o acesso ao compartimento não é mais do que aceitável. Trata-se, provavelmente, de um “efeito colateral” da plataforma CMP, já pensada para abrigar motori­zações elétricas e suas respectivas baterias.

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