Esportes, Paulistão

Com grama sintética, Palmeiras jogará mais no Allianz Parque

Com grama sintética, Palmeiras jogará mais na arena
Palmeiras não conseguiu atuar no Allianz Parque em 27 ocasiões desde a inauguração. Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras

A partir do próximo mês, o Palmeiras não deve ter mais o problema que tanto incomodou a torcida e atrapalhou a relação com o Allianz Parque nos últimos cinco anos: não jo­gar no local por causa de shows. Com a instalação do gramado sintético, a promessa é de conciliar a agenda musical com o calendário do futebol e ainda conseguir grande economia. A previsão é de que o novo piso tenha manutenção mensal até 85% menor do que a grama natural por dispensar reparos complexos. Além disso, não precisará ser trocado ao menos pelos próximos 15 anos.

O campo sintético será uma novidade tanto na arena como na Academia de Futebol. O clu­be fez questão de colocar o gramado no centro de treina­mento para preparar melhor os jogadores. O Palmeiras bancará a instalação do novo piso no CT. No estádio, a gestora do Allianz Parque é quem pagará a reforma. Os valores não foram revelados, mas a reportagem apurou que, em no máximo um ano e meio, o investimento estará recuperado.

A obra de colocação do gra­mado sintético já teve início na Academia de Futebol. No estádio, a mudança deve começar em breve. A instalação demora 30 dias. Por isso, é provável que o Palmeiras tenha de recorrer ao Pacaembu para enfrentar como mandante São Paulo e Oeste, nas rodadas iniciais do Paulistão.

Quando há coincidência de datas de jogos e shows, o Palmeiras costuma se prejudicar por gastar com o aluguel de outro estádio e arrecadar menos com bilheteria, enquanto a adminis­tradora da arena perde dinheiro por ter de ressarcir o clube. Desde a inauguração do Allianz Parque, em novembro de 2014, a equipe não conseguiu atuar dentro de casa em 27 ocasiões.

Agora a promessa é a situação não se repetir. Uma grama com tecnologia inédita nas Américas e idêntica à usada no CT da seleção holandesa vai dar ao time a chance de atuar no estádio seis horas depois de um show. “A grama tem espécie de memória. Se você colocar o palco em cima, ela deita. Quando você tira, ela retorna à posição, sem estrago ou dano”, afirmou Alessandro Oli­veira, presidente da Soccer Grass, empresa responsá­vel pela reforma.

O Palmeiras enviou repre­sentantes à Holanda em outubro do ano passado para conhe­cer o piso sintético. Integrantes da diretoria, da co­missão técnica e do departamento médico fi­zeram testes e gostaram bastante da tecnologia, considerada mais avançada que a usada no gramado artificial da Arena da Baixada, em Curitiba. O gramado palmeirense é feito de polietileno e terá altura de 5 cm.

PREENCHIMENTO

O principal diferencial em relação a outros pisos sintéticos está no preenchimento das fibras da grama. Ao invés de borracha, presente em quadras amadoras, ou fibra de côco, utilizada pelo Athletico, o campo palmeirense terá material sintético chamado de TPE (elastômero termoplástico), feito na Itália. Por ser pesado, não gruda nos uniformes.

“O tipo de enchimento que vamos usar é diferente. A fibra de côco precisa ser molhada, então escorrega mais. O TPE absorve bastante o impacto e tem composição que ajuda o piso a ficar muito próximo da grama natural”, afirmou Oliveira. As fibras têm ainda como vantagem ajudar a resfriar o piso em até 15ºC em comparação a ou­tros preenchimentos existentes. Em cada um dos 9 mil metros quadrados do Allianz serão usados 15 kg de enchimento.

O novo gramado tem certificação da Fifa emitida por laboratórios na Europa e Estados Unidos. O piso foi aprovado em testes que avaliaram critérios como trajetória da bola, uniformidade do solo e rotação da chuteira. Por ter uma superfície bem regular, o campo deve oferecer menos riscos de lesões causadas por pisões em buracos ou pelo desprendimento de pedaços de grama. Os rolos com a nova grama chegaram ao Brasil nesta semana após viagem de navio da Holanda e desembarque no porto de Navegantes (SC).

O piso sintético tem como base uma tela de polietileno e propileno. Os tufos da grama são entrelaçados três vezes no suporte, para dar segurança. Para o estádio, vão ser necessários cerca de 30 blocos de piso. Cada um deles tem cerca de 4 metros de largura por 78 metros de comprimento. Abaixo deles, será posicionada uma manta de amortecimento de espuma, feita na Alemanha. No novo campo, os jogadores não vão precisar utilizar chuteiras diferentes dos modelos convencionais. A expectativa é que mesmo em dias chuvosos os atletas possam calçar modelos com travas de borracha, próprias para pisos secos.

A escolha pelo gramado sintético foi resultado de pelo menos três anos de discussões sobre como administrar a agenda e melhorar a qualidade do gramado. O estádio testou recentemente diferentes técnicas de plantio do campo e de montagem e desmontagem do palco. Porém, preferiu apostar em outra alternativa para conseguir conciliar o futebol com o cronograma de shows. Apenas para este ano estão garantidas até agora oito apresentações na arena.

ECONOMIA

A reportagem apurou que a manutenção mensal do piso sintético chega a ser 80% mais barata do que a grama natural por dispensar atividades como irrigação constante, reparos de jardinagem e a troca várias vezes ao ano. No caso do Allianz Parque, a estimativa é economizar até R$ 100 mil por mês com iluminação artificial, que era necessária para compensar a falta de luz natural em partes do piso.

“A manutenção será basicamente escovar o gramado e repor o enchimento”, disse o presidente da Soccer Grass. Ao fim dos shows no estádio, será preciso fazer uma limpeza com uma máquina especial, com imã. A varredura vai conseguir retirar restos de peças metálicas, casos de parafusos ou partes perdidas de estrutura do palco.

Segundo o responsável pela execução da reforma, não há problema do piso ser utilizado com muita frequência em partidas. “Quanto mais usar, melhor vai ficar o gramado. O enchimento vai se acomodar mais, fica mais nivelado, fibras ficam mais em pé, melhora a qualidade do fio. A drenagem também é muito boa em caso de chuvas”, explicou.

A Soccer Grass também vai cuidar de um dos gramados utilizados na Florida Cup. Um campo em dimensões reduzidas será montado dentro de um dos parques da Disney e que receberá um torneio de ex-jogadores terá o trabalho da empresa.

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