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Com game e campanha de doação, Museu Paulista, conhecido como Ipiranga, a faz ‘esquenta’ para a reabertura

Área externa do edifício-monumento: proposta do projeto arquitetônico. Foto: Reprodução Jornal da USP/ Divulgação MP
Área externa do edifício-monumento: proposta do projeto arquitetônico. Foto: Reprodução Jornal da USP/ Divulgação MP

No site do Museu Paulista, mais conhecido ainda hoje como Museu do Ipiranga, um contador mostra, segundo a segundo, quanto tempo falta para a reabertura, marcada para 7 de setembro do próximo ano. Enquanto os números não zeram, o “esquenta” da reinauguração já começou com um game e uma campanha de doação para apoiar ampliação, modernização e restauro do edifício-monumento, fechado desde 2013.

Cerca de 70% das obras foram finalizadas e as restantes prosseguem a todo vapor, a fim de que já estejam finalizadas em março de 2022, de acordo com o vice-diretor do espaço, Amâncio Jorge de Oliveira. O professor, no entanto, reforça que ainda faltam recursos adicionais. “O museu precisa que as pessoas abracem essa causa”, diz. A meta é arrecadar R$ 800 mil até o fim do ano. Se, porventura, sobrar dinheiro, os valores serão investidos nas manutenções posteriores.

“É uma oportunidade de o brasileiro investir em um patrimônio cultural importante”, incentiva Oliveira. “Essa é uma doação à cultura brasileira.”

As contribuições podem ser feitas por pessoas físicas, por meio da plataforma Abrace uma Causa, via cartão de crédito, boleto bancário ou Pix. Na plataforma, é só buscar o projeto do museu.

A ferramenta digital recebe os valores e providencia o depósito, identificado com o CPF do doador, na conta do projeto. Também fornece um recibo, que pode ser usado para dedução no Imposto de Renda de 2022, no caso de doações feitas até 31 de dezembro.

Quem utilizar o modelo completo de declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) pode destinar até 6% do valor devido à instituição, reduzindo as tarifas a pagar ou aumentando o que deve ser restituído. A simulação do montante a ser doado pode ser feita no site, que também informa se o contribuinte declara de forma completa ou simples.

Os nomes dos doadores serão reconhecidos nas instalações do museu. Entre aqueles que garantiram a sua doação está Vahan Agopyan, reitor da Universidade de São Paulo (USP), instituição que administra o edifício desde 1963. “É parte da história do meu País. Como brasileiro, tenho a obrigação de sempre resgatá-la e mantê-la”, explica Agopyan. “Se não entendemos e respeitamos a nossa história, teremos dificuldade de compreender nosso futuro.”

Outro braço da campanha é a ação Empresa Amiga, que permite aos comerciantes do bairro do Ipiranga contribuírem mensalmente com o projeto do novo museu. Os empresários, por sua vez, têm vantagens específicas, como reconhecimento no site e desconto em ingressos, por exemplo. Durante este mês, a empresa Trackmob visita os estabelecimentos para fechar parcerias.

Visita virtual

“Se as pessoas não podem vir ao museu, o museu vai até as pessoas”, brinca Oliveira, ao falar sobre o aplicativo Museu Paulista Virtual. Nele, além de passear pelo jardim francês e visitar exposições sem sair de casa, desde setembro deste ano é possível salvar o edifício e seu acervo de uma inteligência artificial maléfica, no game MID – Museu do Ipiranga em Defesa.

Quem guia essa missão no jogo single player é o AGD-22, o assistente virtual do museu. O robô amigo veio do futuro avisar sobre outras máquinas que pretendem destruir o acervo e, com ele, acabar com toda história e sua preservação. “É um convite a fazer uma visita de forma diferente”, conta Luciano Vieira de Araújo, coordenador da parte técnica do Museu do Ipiranga Virtual. “Há toda uma interação ‘indireta’ com o espaço durante a jornada.”

Enquanto completa as missões necessárias para salvar o edifício, o jogador percorre os corredores do museu e se depara com parte de suas obras.

A aplicação também permite montar quebra-cabeças de obras que fazem parte do acervo do Novo Museu Paulista. Algumas pinturas são Desembarque de Cabral, de Oscar Pereira da Silva; Retrato de Maria Quitéria, de Domenico Failutti, e o famoso quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo.

Araújo explica que essas iniciativas buscam complementar a experiência do museu, de uma maneira diferente do que se encontra ao redor do globo. “Os museus pelo mundo possuem uma abordagem em que utilizam uma ferramenta similar ao Google Street View, em que fotografam a área interna. A nossa proposta é diferente, é uma modelagem 3D do Museu”, explica. “Não temos a preocupação de ser uma réplica. Foi pensado para ser uma alternativa de acesso ao espaço com a liberdade para aproveitar as inovações do mundo digital.”

Desenvolvido em parceria com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, o aplicativo do museu é compatível com as plataformas Android, iOS, Windows, Mac, Xbox Series X|S e Xbox One, e está disponível para download. Conforme Araújo, há mais de 29 mil usuários ativos atualmente.

Construído às margens do Córrego do Ipiranga em 1890, o edifício se tornou museu em 1895. É o mais antigo da cidade de São Paulo

Desde outubro de 2019, passa por obras de restauro, ampliação e modernização, financiadas pela Lei de Incentivo à Cultura. A gestão do Projeto Novo Museu Paulista é feita de forma compartilhada pelo Comitê Gestor Museu do Ipiranga 2022, pela direção do Museu Paulista e pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp).

Reforma da área externa

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou em agosto o início da restauração do jardim francês, que faz parte da reforma do Museu Paulista, localizado no Parque da Independência, na zona sul da cidade. A reabertura da instituição, fechada em 2013, vai ocorrer em 7 setembro de 2022 para a celebração do bicentenário da Independência do Brasil.

O projeto prevê a restauração de toda a área construída e botânica do jardim francês, além da construção de um restaurante com 270 metros quadrados, espaço para food bikes, modernização da iluminação e das vias de acesso, além do resgate de duas fontes do projeto original, demolidas em 1972. O espaço arquitetônico e paisagístico será um lugar para a convivência dos frequentadores da praça, do museu e do parque.

O projeto de reforma, parceria do governo estadual com a Prefeitura de São Paulo e mais 21 empresas, envolve oito intervenções urbanísticas. Além do restauro e da ampliação do edifício e a reforma do jardim francês, a Sabesp atua na despoluição do Córrego do Ipiranga e a criação de uma área de lazer.

A prefeitura também conduz as reformas do entorno, com a recuperação das calçadas, da iluminação e do projeto paisagístico, além da reconstrução do Monumento da Independência, da Cripta Imperial e da Casa do Grito. De acordo com o governo estadual, a revitalização é o maior projeto cultural em andamento no país.

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