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Com final da produção em São Bernardo, Ford inicia demissões de 650 trabalhadores

Com final da produção em São Bernardo, Ford inicia demissões de 650 trabalhadores
Santana: “Governo não está preocupado com a indústria nacional, nem com os trabalhadores”. Foto: Adonis Guerra/SMABC

A Ford deu início, ontem (31), ao desligamento de 650 trabalhadores da fábrica de São Bernardo, que teve encerrada a produção depois de 52 anos. O anúncio do fechamento da unidade havia sido divulgado em fevereiro e, segundo nota da montadora, está “em linha com a decisão de sair do segmento de caminhões”.

No início deste ano, a unidade produzia o New Fiesta e os caminhões das li­nhas Cargo e Série F e tinha 2,8 mil trabalhadores O hatch compacto deixou de ser fabricado em agosto, o que resultou na demissão de 750 funcionários da produção. Agora, com o encerramento da linha de montagem de caminhões, ou­tros 650 serão dispensados.

De acordo com a nota, as negociações envolvendo a ven­da da planta para o Grupo Caoa ainda estão em andamento. “A Ford reitera que continua fazendo todos os esforços ca­bíveis para alcançar um resultado positivo”, diz a nota.

Em setembro, Ford e Caoa assinaram protocolo de intenções mediado pelo governador João Doria (PSDB) que forma­li­zava o grupo como único interessado na compra da unidade e estabelecia prazo de 45 para o fechamento do negócio. Porém, as negociações não avançaram.

O que trava as negociações é a não concessão, pelo Banco Nacional de Desenvol­vimento Econômico e Social (BNDES), de empréstimo solicitado pelo Grupo Caoa.

Na última sexta-feira, em visita a São Bernardo, Doria afirmou que, se a negociação com o Grupo Caoa não se concretizar, uma opção seria a compra da fábrica por uma montadora chinesa.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que cerca de 650 funcionários que trabalhavam na produção se­rão desligados da fábrica. As demissões começaram a ser homologadas ontem, em turmas de 100 trabalhadores por dia. Outros mil trabalhadores, da parte administrativa, seguem na fábrica de São Bernardo.

Segundo o sindicato, a partir de abril, os funcionário serão transferidos para a nova sede da Ford, na Capital. Nos próximos dias, continuarão sendo realizados módulos dos cursos de educação financeira e orientação para o mercado e carreira, oferecidos pela entidade.

Na última assembleia com os trabalhadores na Ford São Bernardo, realizada na terça-feira, representantes do sindicato lembraram o esforço feito pela entidade em conjunto com os trabalhadores na tentativa de reverter a decisão da montadora – greve, atos e passeatas, além da ida de dirigentes à matriz da Ford, nos Estados Unidos, para uma conversa com a direção mundial da empresa.

O sindicato lembrou que, após a confirmação de que o fechamento da unidade era irreversível, os esforços voltaram-se para a negociação de um pacote de indenização que ajudasse a amenizar o impacto da demissão sobre os traba­lhadores, o que foi alcançado, e para o contato com diversas ins­tâncias do poder público que pudessem ajudar na busca de um comprador que mantivesse o parque fabril e os empregos.

“Tivemos várias conversas com a direção da Caoa e conseguimos negociar a parte relativa às questões trabalhistas. Aceitamos o estabelecimento de tabela de bases salariais correspondente a cerca de 80% dos valores praticados pela Ford, acertamos tabela de reajustes anuais e a maioria das cláusulas sociais. No entanto, temos a informação de que a negociação não foi concluída ainda porque a Caoa não conseguiu acesso a financiamento pelo BNDES. É um governo que não está preocupado com a indústria nacional, nem com os trabalhadores”, destacou o presidente do sindicato, Wagner Santana.

HISTÓRIA

A fábrica de São Bernardo foi adquirida pela Ford há 52 anos, com a incorporação da Willys Overland do Brasil. Nela foram produzidos vários ícones da indústria automotiva, como o primeiro carro de projeto glo­bal a chegar ao Brasil, o Ford Es­cort, além dos modelos Corcel, Del Rey, Pampa, Ka e Fiesta.

“Em nome da Ford Motor Company, quero agradecer aos funcionários da fábrica de São Bernardo pelo seu profissionalismo e dedicação durante vários anos”, disse, em nota, o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters. “Mesmo após o anúncio feito em fevereiro, nunca deixaram de cumprir com suas obrigações”, afirmou o executivo.

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