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Com fim do auxílio emergencial, desigualdade pode voltar aos anos 1980

Índice de pobreza caiu de 18,7% em 2019 para 11% em setembro deste ano; sem o benefício do governo, indicador pode disparaÍndice de pobreza caiu de 18,7% em 2019 para 11% em setembro deste ano; sem o benefício do governo, indicador pode disparar e alcançar 24%r e alcançar 24%. Foto: Arquivo/Agência Brasil
Índice de pobreza caiu de 18,7% em 2019 para 11% em setembro deste ano; sem o benefício do governo, indicador pode disparaÍndice de pobreza caiu de 18,7% em 2019 para 11% em setembro deste ano; sem o benefício, indicador pode  alcançar 24%. Foto: Arquivo/Agência Brasil

O fim do auxílio emergencial pode levar a desigualdade no país de volta ao patamar dos anos 1980. O índice de pobreza, situação de quem recebe até um terço do salário mínimo (hoje, R$ 348), caiu de 18,7% em 2019 para 11% em setembro de 2020. Sem os benefícios pagos pelo governo, esse indicador pode disparar e alcançar 24%, ou seja, quase um quarto da população, segundo cálculos do sociólogo Rogério Barbosa, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Com o auxílio emergencial e o benefício pago para quem teve o salário reduzido ou o contrato suspenso, a renda média da po­pu­lação brasileira foi R$ 1.321 em setembro, quando já havia flexibilização do isolamento social e retorno às atividades. Sem a ajuda do go­verno, seria de R$ 1.187.

Entre os 40% mais pobres, a renda aumentou e recuperou perda observada desde 2014. Ou seja, as pessoas não saíram da pobreza, mas experimentaram situação que não era observada há pelo menos seis anos.

Segundo Barbosa, o auxílio diminuiu a diferença de renda entre os mais pobres e os mais ricos, o que pode ser verificado pela redução do índice de Gini, que mede a desigualdade. Com o fim do benefício, a economia ain­da não recuperada e o aumento do desemprego, a desigualdade pode voltar ao patamar de 1980.

Pelas contas do pesquisador, a informalidade – que está em torno de 40% – pode alcançar mais da metade da população. A pesquisa Pnad-Covid do Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 15,3 milhões de pessoas não procuraram trabalho por causa da pandemia ou por falta de trabalho em setembro. Para o especialista, esse grupo tentará voltar ao mercado no próximo ano e o universo de desempregados pode chegar a 30 milhões, mais que dobrando o número atual.

Nesse cenário, um quarto da população pode ficar na pobreza, situação parecida com a dos anos 1990, de acordo com o pesquisador (os números desse indicador não são comparáveis com a década de 1980). “Quando a pandemia passar, e nem sabemos quando vai acontecer, os pequenos negócios não voltarão a funcionar automaticamente. Se não houver algum auxílio para segurar as pessoas que ficarão fora do mercado de trabalho, podemos ter proble­mas muito graves com a desi­gualdade”, afirmou Barbosa.

PRORROGAÇÃO

No mês passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu a possibilidade de prorro­gar o auxílio emergencial se houver segunda onda de covid-19. Depois, afirmou que o governo vai manter o Bolsa Família como está se não houver nova medida com solidez fiscal. Setores do próprio Executivo e do Congresso, porém, querem tirar do papel um programa de renda mínima.

O governo prevê gastar o total de R$ 322 bilhões com o auxílio emergencial neste ano. Até ontem (2) foram desembolsados R$ 275,8 bilhões em benefícios de R$ 600 e R$ 300 para 68 milhões de pessoas.

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