Política-ABC, Regional

Com expectativa de abstenção recorde, 2,1 milhões vão às urnas na região

Em meio à pandemia de covid-19, quase 2,1 milhões de elei­tores vão às urnas neste do­mingo (15) no ABC com o objetivo de esco­lher prefeitos e vereadores dos sete municípios para o período 2021-2025. Apesar das medidas anunciadas pe­lo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para evitar o contágio pelo novo coronavírus, a ex­pectativa é de que o plei­to deste ano tenha o maior índi­ce de abs­tenção da história.

Em 2016, ano da última dis­puta municipal, 412,8 mil dos 2,068 milhões de eleitores aptos a votar na região não com­pareceram às urnas no 1º turno, o que corresponde a uma taxa de abstenção de quase 20%.

Para este ano, o Tribunal Su­perior Eleitoral (TSE) – que adiou as eleições em mais de um mês devido à crise sanitária – projeta índice de abs­tenção médio de 30% no país. Além do medo de contrair a covid-19, a descrença de boa parte da população na clas­se política também de­ve contribuir para afugentar o elei­torado das urnas.

Em três dos sete municí­pios (São Caetano, Ribeirão Pi­res e Rio Grande da Serra), com menos de 200 mil eleitores, a disputa majoritária terminará, obrigatoriamente, no 1º turno. Nos demais (Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá) ha­verá 2º turno caso o desempenho do primeiro colocado seja igual ou inferior a 50% dos votos válidos.

O TSE contabili­zou 59 pe­didos de registro de candidatura para prefeito neste ano no ABC. O número é 25,5% superior ao total de 47 candidatos deferidos na re­gião em 2016.

Dos sete prefeitos do ABC, cinco são candidatos à reeleição: os tucanos Paulo Serra (Santo André), Orlando Morando (São Bernardo), José Auricchio (São Caetano) e Kiko Teixeira (Ribei­rão Pires), além do pessebis­ta Atila Jacomussi (Mauá).

Lauro Michels (PV) e Gabriel Maranhão (PSDB), que comandam os Paços de Diadema e Rio Grande da Ser­ra, respecti­vamente, não serão candidatos, uma vez que já cumpriram dois mandatos consecutivos.

Dos cinco postulantes à re­eleição, dois enfrentam pro­ble­mas na Justiça Eleitoral para viabilizar sua candidatura (veja quadro ao lado).

Em São Caetano, Auricchio teve o registro indeferido e recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). O tu­cano foi condenado por ter recebi­do doação eleitoral de pessoas físicas que não teriam condi­ções financeiras para fazê-la.

Em Ribeirão Pires, Kiko Tei­xeira teve a candidatura impugnada devido à condenação por improbidade administrava na épo­­ca em que era o chefe do Exe­cutivo de Rio Grande da Serra.

Assim como Auricchio e Ki­ko, outros três candidatos a prefeito tiveram seus registros indeferidos e aguardam julgamento de recurso. Todos, porém, terão sua imagem nas urnas. Além disso, o TSE informou que vai divulgar a votação de candidatos sub judice, mas a validação desses votos será condicionada ao even­tual deferimento do registro em instâncias superiores.

HEGEMONIA

O PSDB terá, neste ano, a missão de manter a hegemonia conquistada em 2016, quando levou o comando dos Executivos de quatro dos se­te municípios – mais tarde, Kiko Teixeira trocou o PSB pe­lo PSDB e se tornou o quinto prefeito tucano da região.

Pesquisas eleitorais recen­­­tes mostram o partido na li­deran­ça em São Caetano (Auricchio) e com chances de vitória já no 1º turno em Santo André (Serra) e São Bernardo (Morando).

Depois de perder em 2016 o chamado “cinturão verme­lho” da re­gião metropo­li­ta­na, o PT tenta recuperar an­tigos redutos eleitorais no ABC, mas só lidera as pes­qui­sas em Dia­dema, com o ex-pre­­feito José de Fi­lip­pi Jú­­nior. Foi na cidade, aliás, que o par­ti­do conquistou sua pri­mei­­ra prefeitura, em 1982.

 

Na 1ª eleição sem coligações, ABC tem 3,7 mil candidatos a vereador

Na primeira eleição sem coligações proporcionais, proibidas em fun­ção da mudan­ça nas regras, quase 3.700 can­didatos a vereador vão dispu­tar 142 cadeiras nas sete Câ­ma­ras Municipais do ABC.

A Justiça Eleitoral recebeu 3.734 pedidos de candidatura, dos quais 3.544 foram aprovados. Há ainda 151 pedidos indeferidos – boa parte deles à espera de decisões em instâncias superiores – e 34 renúncias.

Com a coligação, permitida até 2018, o eleitor poderia votar no candidato (a vereador ou a deputado) de um determinado partido e acabar elegendo um de outra sigla. Agora, o candidato com muitos votos ainda pode levar com ele ou­tros postulantes, mas somente do mesmo partido.

Na média, cada cadeira de vereador é disputada por 26 candidatos no ABC. O município com a maior “concorrência” é São Bernardo, com quase 31 candidatos para cada vaga. No sentido contrário, Rio Grande da Serra tem a menor concorrência, com 18,2 postulantes para cada cadeira.

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