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Com dispensa de temporários, número de desempregados volta à casa de 13 milhões

Número de desempregados volta para a casa dos 13 milhões
Número de desempregados subiu para quase 13,1 milhões. Foto: Arquivo

Com a dispensa de trabalhadores temporários, 1 milhão de brasileiros perderam seus empregos entre o final de 2018 e o início deste ano. No trimestre móvel encerrado em fevereiro, o contingente de desempregados voltou à casa dos 13 mi­lhões (são 13,098 milhões), o que não ocorria desde maio passado.

Assim, a taxa de desemprego ficou em 12,4%, ante 11,6% do trimestre móvel imediatamente anterior, encerrado em novembro de 2018, informou ontem (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mais gente desistiu de procurar emprego. O número de desalentados chegou a 4,855 mi­lhões, renovando o recorde. Isso levou a taxa composta de subutilização da força de trabalho, espécie de taxa ampliada de desemprego, a 24,6%, recorde da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. O indicador mostra que falta trabalho para 27,9 milhões de pessoas.

Para Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, isso é grave. “O mercado de trabalho está em um círculo vicioso, com aumento de população desocupada, aumento de população desalentada e da subocupação”, afirmou. Aze­redo lembrou que o quadro é marcado ainda pela baixa qualidade dos postos que surgem, com alta no emprego informal e no trabalho por conta própria.

Cláudio Dedecca, especialista em mercado de traba­lho do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirmou que os dados mostram “problema estrutural de desem­prego elevado”. O qua­dro se man­tém praticamente o mesmo desde o fim de 2017, disse.

“Piorando (o mercado) não está. Há perspectiva de me­lhora, desde que a economia cresça pelo menos 2,0% este ano”, afirmou Dedecca.

DESALENTO

O contingente de pessoas para as quais falta trabalho tende a continuar subindo, explicou o professor. Isso porque o quadro estrutural de desemprego elevado faz aumentar o desalento – situação em que o trabalhador, embora esteja apto e disposto a trabalhar, desiste de procurar emprego. No trimestre móvel até fevereiro, o contingente de desalentados cresceu 6,0%, com 275 mil pessoas a mais em relação a um ano antes.

“O desemprego por desalento só vai cair quando o desemprego aberto (a taxa de desocupação) apresentar movimento significativo de baixa”, disse Dedecca, referindo-se a uma redução do contingente de desempregados.

A alta na taxa de desemprego e as demissões neste início de ano eram esperadas, porque a dispensa dos trabalhadores temporários contratados no fim do ano anterior é comum. “Esse movimento é natural. Sempre tem demissões nessa época do ano”, disse o economista do banco MUFG Brasil, Maurício Nakahodo.

Ainda assim, Azeredo, do IBGE, chamou a atenção para o fato de a efetivação de temporários ter sido menor neste início de 2019 do que na virada de 2017 para 2018. Segundo o coordenador, isso pode ter ocorrido porque a contratação de temporários no final de 2018 foi mais forte do que no encerramento de 2017. Além das tradicionais vendas de fim de ano, as eleições gerais de outubro podem ter movimentado contratações.

Analistas do mercado financeiro chamaram a atenção para a comparação da taxa de desemprego deste início de ano com o início de 2018. Olhando sempre para os trimestres móveis até fevereiro, a taxa passou de 13,2% em 2017 para 12,6% em 2018 e 12,4% em 2019. Para Marcel Caparoz, economista-chefe da RC Consultores, a queda na comparação interanual é lenta e reflete o clima de incertezas ainda constante na economia. “Essa situação política tem dificultado as coisas. Estamos em compasso de espera.”

 

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