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Com desemprego ainda alto, mercado de trabalho do ABC dá sinais de estabilização

Andaku: “Nível de ocupação continua muito baixo”. Foto: Divulgação/Consórcio Intermunicipal

Em um cenário de desemprego elevado, baixo nível de ocupação e de salários em queda, o mercado de trabalho do ABC ainda exibe as cicatrizes do segundo ano consecutivo de recessão econômica, mas começa a dar sinais de estabilização.

É o que mostram os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgados ontem (29) no Consórcio Intermunicipal.

A taxa de desemprego da região é a maior para meses de agosto em 11 anos, mas registrou a terceira queda mensal seguida e passou para 16,4%, contra 16,8% em julho.

Além disso, o nível de ocupação teve leve alta de 0,2% em agosto, com a geração de duas mil vagas, e segue praticamente estável nos últimos dois meses. No corte por setores, cenários semelhantes po­dem ser observados nos serviços, que se mantêm em um patamar próximo de 670 mil trabalhadores há três meses, e no comércio, que “estacio­nou” em 192 mil ocupados após três meses de retração.

“Há tendência de estabi­lidade nos indicadores do mercado de trabalho – em patamares muito baixos, é verdade, embora ainda estejamos longe do cenário que vivemos no final da década de 1990”, disse César An­da­ku, economista do Depar­ta­mento Intersindical de Es­tatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que realiza a PED em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Dieese) e o Consórcio.

Desalento

Apesar dos sinais de estabilização, o mercado segue extremamente desfavorável. Andaku lembrou que a queda de 0,4 ponto porcentual na taxa de desemprego só foi possível porque 4 mil pessoas deixaram a força de trabalho, ou seja, pararam de procurar ocupação. Quando isso acontece, no âmbito da PED, a pessoa deixa de ser desempregada e se torna economicamente não ativa.

Assim, produz-se um efeito estatístico em que, apesar de terem sido criadas apenas duas mil vagas, 6 mil pes­soas deixaram o contingen­te de desempregados, agora estimado em 234 mil.

“Os dados sugerem que as pessoas desistiram de pro­curar emprego devido à expectativa de que não vão en­contrá-lo e, por isso, esperam notícias melhores vindas do mercado de trabalho, o que só deve ocorrer no próximo ano”, disse Andaku.

Em um movimento típico de períodos de crise, o contingente de autônomos cresceu 2,2% na passagem de julho para agosto, para 187 mil pessoas nessa situação.

A pesquisa mostra também que, na passagem de junho para julho, o rendimento mé­dio real dos ocupados cresceu 0,7%, para R$ 2.201, enquanto o dos assalariados caiu 0,7%, para R$ 2.237. Na comparação com julho de 2015, porém, há recuo de 0,9% e 2,8%, respectivamente.

Andaku disse que as dificuldades enfrentadas pelas categorias atualmente em campanha salarial – como os bancários e metalúrgicos – para obter reajuste deve ampliar as perdas nos rendimentos de trabalhadores do ABC, já afetados pela inflação elevada e pela rotatividade da mão de obra (substituição de empregados por ou­tros de salário mais baixo).

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