Esportes, Paulistão

Com apelidos incomuns, Todinho e Nescau comandam ataque do Santo André

Com apelidos incomuns, Todinho e Nescau comandam ataque do Santo André
Todinho e Nescau formam a dupla “achocolatada” do Santo André. Foto: Gabriel Dotto/ECSA

No Santo André, se alguém perguntar por Gustavo Henrique Alves e Geremias Ribeiro Júnior ninguém saberá dizer quem são. Porém, todos conhecem Gustavo Nescau e Júnior Todinho. A dupla tem os apelidos mais insólitos do Campeonato Paulista: defendem o Santo André, têm em comum nomes inspirados em marcas de achocolatados e são esperança de gols do Ramalhão no principal Estadual do país.

“As pessoas nem sabem meu nome. É só Todinho”, diz o baiano de Vitória da Conquista, cansado após um dos últimos treinos antes da estreia no Paulistão. O atacante de 28 anos não conhece a razão do apelido, mas sabe que apareceu primeiro na boca de sua avó materna.

“Minha mãe dizia que minha avó me chamava assim. Eu não a conheci, mas minha mãe falava que minha avó chamava em casa: ‘Cadê Todinho? Traz Todinho aqui'”, revela o jogador, com seu alegre sotaque baiano. “Todo mundo em Vitória da Conquista me conhece como Todinho”, completa.

Nescau tem história mais curiosa sobre o apelido que o acompanha. “Um grande amigo de infância me chamava de Nescau. Ninguém se importava muito. Só ele me chamava assim. Um dia, na base do Rio Claro, o pessoal me viu comendo Nescau e aí o apelido ganhou corpo”, revela. “Foi no Marília que o apelido pegou. Tinha muito Gustavo no elenco e o treinador perguntou meu apelido. Eu, inocente, respondi: ‘Nescau’. Aí já era”, explica o atacante natural de Piracicaba, no Interior paulista, que tem a mania de comer puro o achocolatado em pó.

ANOS DE ESTRADA

Todinho é mais experiente e diz já ter “passado raiva com o futebol em um bocado de lugar”. Começou sua trajetória no Serrano, da Bahia. Em sua terra, atuou também no Vitória da Conquista e no Vitória. Depois defendeu Cuiabá, Juventude e Guarani, seu último time antes de chegar ao Santo André.

Nescau é jovem, tem 21 anos. O grandalhão de quase 1,90 metro foi revelado pelo Rio Claro. No interior paulista, também vestiu a camisa do Marília. No ano passado, jogou a elite do futebol nacional ao defender o então debutante Cuiabá. Fez seis gols por lá.

Embora joguem perto do gol, os dois entendem que suas características se complementam e, por isso, podem atuar juntos. Todinho é leve e mais rápido. Nescau, alto e forte, tem porte de um típico centroavante. “Vai depender do Carpini (ambos atuarem juntos)”, diz Todinho, fazendo alusão à responsabilidade do técnico Thiago Carpini. “Acho que daria certo. Eu de segundo atacante e ele de centroavante.”

A amostra é pequena. Por enquanto, os dois jogaram juntos uma vez só. Foi em um jogo-treino em que o Santo André fez 3 a 1 no São José, em Guararema, e cada um marcou uma vez. A oportunidade ideal para estarem juntos, eles dizem, é contra o Corinthians, o único dos quatro grandes do Estado que o Santo André vai receber em seu estádio, o Bruno José Daniel, no Paulistão. O duelo está marcado para o próximo domingo (30). “É a chance de fazer nosso nome”, resume Nescau. “Com fé, vamos fazer um bom Paulistão.”

REFORMA NA CASA

Administrado pela Prefeitura de Santo André, o Bruno José Daniel ganhou algumas melhorias. A maior mudança está no piso. O campo antigo, costumeiramente alvo de críticas, deu lugar a um gramado sintético. A obra terminou em dezembro passado e a empresa responsável foi a Soccer Grass, a mesma que instalou a grana sintética no Allianz Parque. A intervenção custou R$ 3,7 milhões à prefeitura, que também reformou os vestiários e colocou iluminação em LED.

Neste ano, o Santo André integra o Grupo D do Paulistão, ao lado de Red Bull Bragantino, Ponte Preta e Santos. A chave é considerada a mais forte da competição. O Ramalhão caminha para a 27ª participação no Estadual e está há três anos seguidos na elite do futebol paulista. O clube viveu seu auge em 2004, quando calou 70 mil flamenguistas no Maracanã e conquistou a Copa do Brasil.

O Santo André estreia no Paulistão nesta terça-feira, às 19h, contra o Botafogo, no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto, onde Todinho diz estar acostumado a balançar as redes. “Sempre faço gols lá”, explica, confiante em um bom começo.

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