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Com 24% da população acima de 60 anos, S.Caetano tem o dobro da taxa de mortalidade por covid do país

Taxa de 579,2 óbitos por 100 mil habitantes, que é a maior dos sete municípios, decorre do elevado número de moradores idosos.
Taxa de 579,2 óbitos por 100 mil habitantes, que é a maior dos sete municípios, decorre do elevado número de moradores idosos.

São Caetano tem, entre os muni­cí­pios do ABC, a maior taxa de mortalidade por co­vid-19, considerada por especialistas o indicador mais confiável para avaliar a evolução de uma pandemia, pois mede o número de mortes proporcionalmente à população.

Desde o início da crise sanitária, 938 moradores da cidade per­deram a vida para o novo co­ronavírus, o que resulta em uma taxa de 579,2 óbitos pa­ra cada 100 mil habitantes. É o que revela levantamento rea­lizado pelo Diário Re­gio­nal com ba­se nos mais recen­tes boletins epidemiológicos divulgados pelas prefeituras.

O indicador de São Caetano é o dobro da média nacional, que registrou 285 óbitos a cada 100 mil moradores (ve­ja quadro ao lado). Também é superior às taxas de mortalidade do ABC (367,3) e do Estado de São Paulo (326,5).

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Cae­ta­­no explicou em nota que o indicador do mu­ni­cípio decorre do elevado nú­mero de residentes idosos, que são mais suscetíveis à doença.

“Somos a população mais envelhecida da região metro­politana e uma das mais enve­lhecidas do país. Cerca de 24% de nossa população tem mais de 60 anos, enquanto ou­tros municípios da Grande São Pau­­­lo, como Barueri e Ita­qua­que­cetuba, possuem apenas 6% de sua população nesta faixa etá­ria”, alega a prefeitura.

Além disso, segundo a nota, São Caetano tem densidade demográfica de 10,5 mil habitantes por km², uma das mais altas da região metropolitana e do país, o que torna mais fácil a disseminação e mais difícil impedi-la. “Não faz sentido comparar diretamente os padrões de propagação da epidemia em São Caetano com municípios que têm densidade demográfica in­­­finitamente menor.”

“Por isso, o número (taxa de mortalidade) não reflete o esforço que a cidade tem feito para controlar a pro­pagação da epidemia e sua letalidade en­­­tre os habitantes. Traba­lhamos muito e sempre fomos conscientes de que os riscos aos quais a popula­ção de São Caetano está submetida são maiores do que aqueles aos quais estão submetidos, por exemplo, as cidades vizi­nhas”, diz a nota.

Segundo o último boletim epidemiológico di­vulgado pela prefeitura, São Cae­tano acumula 17.343 casos e 938 óbitos pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.
A melhor situação entre os municípios do ABC é a de Rio Grande da Serra, que acumulou 98 mortes desde o início da pandemia, o que significa 190,5 óbitos a cada grupo de 100 mil moradores.

LETALIDADE

São Caetano só está pior do que Ribeirão Pires em ou­tro in­dicador de evolução da pandemia: a taxa de letalida­de, que mede o porcentual de mortes em comparação ao total de infectados. A taxa de São Caetano, de 5,41, é quase o dobro da apurada no país (2,79) e, no ABC, só é menor do que a de Ribeirão Pires.

Especialistas explicam que esse indicador está relaciona­do à capacidade do sistema de saúde para recuperar quem é diagnosticado com a doença. Porém, no Brasil, não é o mais adequado para acompanhar a evolução da pandemia, devido à subnotificação de casos, de­corrente da baixa testagem.

Já a taxa de prevalência, que mede o porcentual dos habitantes que contraíram o novo coronavírus, tem em São Bernardo o maior indicador (11%), seguido por São Caetano (10,7%). A média dos sete municípios é de 9,31%.

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