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Com 234 votos a favor e 56 contrários, parlamento sul coreano afasta presidente

Park:  “gostaria de pedir desculpas à população”. Foto: Arquivo

Após dois meses de protestos pedindo sua saída em meio a um escândalo de corrupção, a presidente sul-coreana Park Geun-Hye teve seus poderes suspensos ontem (9), com o voto do Parlamento a favor do seu impeachment. Com 234 votos a favor e 56 contrários, a decisão pelo afastamento transfere imediatamente os poderes de Park ao primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn. Agora, o futuro da conservadora Park, filha do ditador Park Chung-Hee (1963-1979), está nas mãos da Corte Constitucional, que tem até seis meses para confirmar ou não sua destituição.

Nesse período, poderá permanecer na residência presidencial, a Casa Azul, usar carro e avião oficiais e receber seu salário de cerca de R$ 50 mil normalmente. Se a presidente for afastada definitivamente, será a primeira mandatária do país a deixar o poder em um processo de impeachment. Roh Moo-hyun (2003-2008) chegou a ter seus poderes suspensos pelo Parlamento, mas foi salvo pela mais alta corte sul-coreana, em 2004.

Antes de seu afastamento, Park, 64, se reuniu com seu gabinete e pediu desculpas à nação pela “negligência” no escândalo que abalou o país. “Gostaria de pedir desculpas à população porque a nação teve que passar por essa turbulência por causa da minha negligência e falta de virtude em um período em que tanto a nossa segurança como a nossa economia passavam por dificuldades”, disse, após o voto no Parlamento.

Park, contudo, afirmou esperar que essa “confusão” fosse completamente resolvida pela Corte Constitucional. Se os magistrados decidirem apoiar o impeachment, o país deverá realizar novas eleições em até 60 dias. Se mantido o calendário regular, o mandato de Park vai até 2018, com eleições para sua sucessão em dezembro de 2017.

Entre os principais nomes cotados para a sua sucessão, estão o opositor Moon Jae-in, seu rival na disputa à Presidência em 2012, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Após tomar posse como presidente interino, Hwang disse que sentir “grande responsabilidade” pela crise política que levou ao afastamento de Park -enquanto premiê, ele era braço-direito da presidente. “Gostaria de dizer que lamento sinceramente pelo povo”, disse Hwang.

A votação ocorreu enquanto centenas de pessoas protestavam nas proximidades do Parlamento. Nos últimos dois meses, protestos tomaram as ruas da capital, Seul, a cada sábado.

A presidente afastada é acusada de conspirar com a amiga de infância Choi Soon-sil e um ex-assessor para pressionar grandes empresas a doarem até US$ 69 milhões para duas fundações criadas e dirigidas por Choi.

Impacto regional

O afastamento de Park gera dúvidas sobre como ficará a posição do país em relação ao vizinho do Norte. A conservadora adotou, em seu mandato, um tom mais duro contra a Coreia do Norte, fortalecendo sanções. Seu governo também concordou em receber um sistema americano de defesa de mísseis que gerou forte reação da China.

Especula-se que a impopularidade de Park e de seu partido impulsionariam os nomes liberais na sua sucessão, o que poderia mudar a abordagem sobre Pyongyang –e ser motivo de preocupação para o futuro governo de Donald Trump.

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