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Com 19 mil vagas fechadas no ABC este ano, setor industrial demite 70 por dia

A melhora nos indicadores de confiança de consumidores e empresá­rios ainda não chegou às indústrias do ABC, que convivem com a fraca demanda e elevada ociosidade. Prova disso é que o nível de emprego no setor registrou em setembro o 19º mês consecutivo de retração.

Segundo pesquisa mensal divulgada, ontem (18), pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), o parque fabril da região fechou 4.300 postos de trabalho no mês passado, com queda de 2,3% no nível de ocupação. O resultado é o pior para o mês desde o início do levantamento, em 2006. Em agosto foram extintas 4.100 vagas.

Os saldos negativos de agosto e setembro frustram a expectativa de desaceleração das demissões no parque fabril do ABC, criada após o afastamento – temporário e, depois, definitivo – de Dilma Rousseff da presidência.

“Não mudou absolutamente nada (no cenário da indústria). O humor melhorou com o fim da crise política, mas a gente vê, sistematicamente, empresas fe­chando as portas ou demitindo funcionários devido ao baixo número de pedidos”, disse em tom de lamento o 1º vice-diretor do Ciesp de Diadema, Anuar Dequech Júnior.

Nos primeiros nove meses deste ano, o estoque de empregos industriais na região encolheu 9,6%, com o fechamento de 19 mil vagas, o que equivale a quase 70 postos extintos por dia.

O resultado dá continuidade a três anos de queda no nível de ocupação industrial no ABC. Entre 2013 e 2015, o setor eliminou 57,3 mil vagas.

Crise disseminada

Na passagem de agosto para setembro, 13 dos 22 setores acompanhados pe­las Fiesp e pelo Ciesp reduziram o nível de ocupação no ABC. Nos últimos 12 meses, a disseminação é ainda maior e alcança 19 ramos.

No setor automotivo, o mais importante devido ao peso que tem na economia do ABC, o recuo no nível de ocupação é de 7,8% neste ano e de 5,1% em 12 meses.

“Quem pode­ria puxar a economia do ABC têm a produção paralisada ou trabalha com elevado nível de ociosidade e, por isso, está demitindo ou colocando trabalhadores em layoff”, disse Deque­ch, referindo-se às montadoras, que amargam o quarto ano de retração nas vendas.

Em setembro, a Mercedes-Benz concluiu Programa de Demissões Voluntárias (PDV) em São Bernardo com 1.050 adesões, e outros 370 funcionários foram desligados.

Para o 1º vice-diretor do Ciesp Diadema, a recuperação do setor só deve começar no segundo semestre de 2017. “Até lá, as empresas terão de fazer grande esforço para manter seus funcionários.”

No Estado de São Paulo, o cenário é igualmente desolador. O nível de emprego no setor caiu 0,51% em setembro, com o fechamento de 11.500 vagas. Com o resultado, a indústria paulista acumulou perda de 29 mil empregos no terceiro trimestre e de 86 mil neste ano.

Paulo Francini, diretor ti­­tular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entida­des, considera que o ritmo de demissões na indústria diminuiu, mas ainda continua a haver cortes. “É uma tragédia que ainda não chegou ao seu final”, avaliou.

 

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