Esportes, Outros Esportes

COB abre processo contra CBG e Marcos Goto

COB abre processo contra CBG e Marcos Goto
Ginastas ouvidos pela TV Globo afirmaram que Goto tinha conhecimento dos abusos. Foto: Ricardo Bufolin/CBG

Criado após a alteração do estatuto do Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Conselho de Ética da entidade fará sua estreia tendo como foco o escândalo dos abusos sexuais na ginástica artística brasileira.

O novo órgão, que passou a funcionar efetivamente após o dia 23 de março, abriu processo ético contra a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) e o treinador Marcos Goto em razão dos supostos casos de abuso que teriam sido cometidos pelo ex-treinador Fernando Carvalho Lopes.

A decisão para abertura deste processo foi tomada na última sexta-feira (4), após o órgão receber representação encaminhada pela Comissão de Atletas do COB.

O documento foi assinado pelo presidente da comissão, o ex-judoca e duas vezes medalhista olímpico Tiago Camilo.

“Recebemos a representação na sexta-feira e decidimos então intimar o Goto e a CBG para apresentar informações. O prazo para isso é o de cinco dias, conforme consta no regimento interno do Conselho de Ética”, disse à reportagem o advogado Alberto Murray, presidente do conselho.

O prazo para que tanto a CBG quanto Goto, que é o coordenador técnico da entidade, apresentem suas justificativas, termina amanhã. A expectativa é de que a confederação e o treinador apresentem suas explicações por escrito dentro do prazo.

Após a data, os cinco integrantes do Conselho de Ética vão se reunir para analisar o caso. Além de Murray, o órgão é formado por Caputo Bastos, Ney Bello, Samy Arap e Bernardino Santi.

Se entenderem que há a necessidade de abertura de investigação, será nomeado um relator que chamará os envolvidos para depor.

O caso será julgado de acordo com o que manda o novo código de ética do COB, que está em fase de redação final e será divulgado ao público até o próximo dia 22.

As punições nos processos, de acordo com o que prevê o regimento interno, já divulgado, variam desde advertência velada ou escrita a, para casos mais graves, suspensão, com prazo a ser determinado.

No caso de prestadores de serviço do COB, como é a situação de Goto, dependendo da gravidade da falta ou do deslize ético, pode haver ainda recomendação para que o funcionário seja desligado da entidade. Goto é contratado pela CBG, mas tem os salários pagos pelo comitê olímpico.

“Não temos competência legal para romper contratos de trabalho. Podemos apenas fazer a recomendação à direção do COB para demitir um funcionário que tenha cometido desvio ético”, afirmou Murray.

Vários ginastas ouvidos pelo Fantástico, da TV Globo, disseram que Goto tinha conhecimento dos abusos que sofreram de Fernando Lopes. Além de não tomar atitude, fazia brincadeiras com os atletas supostamente abusados.

A CBG divulgou na sexta-feira nota após a realização de Assembleia Extraordinária, se­gundo a qual reafirmava sua confiança em Goto. A entidade lembrou que foi o treinador quem incluiu em um seminário realizado em janeiro o tema do combate ao abuso e assédio sexual no esporte.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*