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Cinco fatos e mitos da Cannabis medicinal

Em dezembro de 2019, a Anvisa aprovou a comercialização de medicações a base de Cannabis (maconha) no Brasil. Desde então a cada dia se fala mais sobre o tema, e mais pessoas apresentam interesse por esse tipo de tratamento. Ainda assim, muitas dúvidas e mitos persistem.

A partir de agora, falarei sobre as dúvidas e mitos mais frequentes relacionados ao assunto:

– Somente o canabidiol (CBD) é usado como remédio, e o THC não: MITO. O CBD e o THC são os principais componentes da maconha, sendo que o THC é uma das substâncias psicoativas (que dão o “barato”) da planta. Embora o CBD seja muito mais falado, o THC também possui propriedades terapêuticas em doses adequadas. No exterior você possui medicamentos como o Nabilone (ou Cesamet) que nada mais são do que formas industrializadas do THC.

– Tratamentos usando Cannabis não são algo novo: VERDADE. Certamente muitos avós que vieram de regiões mais afastadas dos grandes centros devem conhecer remédios a base de Diamba, Djamba ou Liamba. Todos esses são nomes regionais para a Cannabis. Na verdade já existem relatos escritos chineses de 2.300 A.C. sobre o uso medicinal da planta. O primeiro relato científico formal no ocidente foi na Inglaterra no século XIX. No início do século XX (antes da criminalização) grandes laboratórios como Lilly e a Merck produziam medicações a base da planta. No Brasil, na década de 70, o professor Elisaldo Carlini conduziu estudos pioneiros sobre as propriedades anticonvulsivantes do Canabidiol (CBD).

– O tratamento “dá barato”, “brisa” ou “viagem”: MITO. Essas medicações geralmente são ricas em CBD, que sequer possui efeito psicoativo, e apenas traços de THC (0,2% somente). As que possuem THC (o princípio psicoativo), apresentam concentrações muito pequenas (cerca de 10 a 20 vezes menos) quando comparadas a concentração de THC presente na droga traficada. Além disso, essas substâncias são absorvidas de forma muito mais lenta pelo intestino do que pelo pulmão.

– O tratamento a base de Cannabis medicinal é seguro – VERDADE. Desde que seja indicado e prescrito por um profissional com conhecimento na área, o tratamento possui alto grau de segurança. Importante esclarecer que como qualquer medicação existem indicações, contra-indicações e possíveis efeitos colaterais, daí a necessidade de uma indicação e acompanhamento médico adequado.

– O tratamento é feito fumando a erva: MITO. No Brasil o tratamento é usado utilizando-se gotas orais na forma de um óleo. Nenhuma comunidade médica no mundo recomenda fumar a erva, por diversos motivos: A queima libera substâncias nocivas ao pulmão, a absorção pulmonar é irregular, o efeito da medicação dura pouco tempo, entre outros.

 Ronaldo Correia CRM – SP 119.542
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