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Cicote nega que secretária tenha sido agredida dentro da Câmara de Santo André

Cicote: “chamamos a Guarda Civil para garantir a segurança”. Foto: ArquivoO presidente da Câmara de Santo André, Almir Cicote (PSB), declarou em coletiva de imprensa, na tarde de ontem (25), que a secretária de Saúde da cidade, Ana Paula Peña Dias, não foi agredida dentro do Legislativo. “Dentro da Câmara não houve agressão. Houve o debate acalorado”, afirmou. A gestora participava de reunião com os vereadores na manhã de quinta-feira (24) para explicar o plano Qualisaúde, lançado pela prefeitura, quando manifestantes tentaram entrar na sala.

“Decidi fazer esse bate-papo para encerrar essa conversa, esse assunto, que já tem rendido muita história, a maioria delas inverídica”, declarou Cicote. O presidente relatou que a secretária estava para ser convidada para a reunião há vários dias, mas que foi à Câmara espontaneamente. O socialista explicou que quando chegaram para a reunião, manifestantes liderados pelo vereador Willians Bezerra (PT) – autor de um requerimento de convocação de Ana Paula – já estavam na Casa.

“Solicitei que todos os manifestantes fossem para o plenário, para que pudéssemos fazer a reunião e as indagações de forma tranquila. Convidei a secretária para ficar ao meu lado, para protegê-la, junto aos outros secretários que estavam aqui dentro”, afirmou.

Segundo Cicote em dado momento, os manifestantes começaram a bater na porta e nas paredes da sala onde ocorria a reunião e o clima ficou tenso. “Chamamos a Guarda Civil para garantir a segurança se todos. Houve bate-boca e o clima ficou tenso. A secretária é uma gestora técnica, não é política. Não está acostumada com esse clima da Câmara”, completou.

Cicote reafirmou que enquanto esteve com a secretária não houve nenhuma agressão, apesar de Ana Paula ter registrado um boletim de ocorrência (BO) em que o acusa de injúria e ameaça. O vereador Willians Bezerra também está sendo acusado. “Houve excesso por parte dos manifestantes, mas não houve agressão. O que ocorreu fora da Câmara só soube pela imprensa”, completou. A secretária afirmou que teve o cabelo puxado e foi insultada por manifestantes.

Questionado se houve quebra de decoro, o presidente afirmou que debates acalorados fazem parte da rotina do vereador. “Temos Código de Ética, mas não cabe, senão vamos ficar totalmente engessados e colocar 21 bonecos para falar com a população. Não pode ter uma fala mais agressiva, mais contundente, não pode nem contrariar outra pessoa, porque ela faz um BO contra você”, concluiu.

Ana Paula o acusa de ter dito que ela era fraca para ser secretária e ter dito ao vice-prefeito Luiz Zaccarias “hoje eu vou f**** essa filha da p*** na tribuna”.

Willians Bezerra negou que tenha incitado os manifestantes contra a secretária. “Realmente bati na porta, mas para que eu pudesse entrar, já que fui impedido pelo segurança da secretária. As pessoas queriam falar com ela. A população quer saber sobre o fechamento das unidades de saúde”, afirmou. “Tudo isso é para desviar o foco do problema e da culpa do prefeito, que fechou as unidades e não deu uma resposta”, completou.

Desagravo

A Prefeitura de Santo André realizou na tarde de quinta-feira (24) ato de desagravo pela agressão sofrida pela secretária de Saúde. “Sou neurologista, poderia retomar minha vida, atendendo confortavelmente no meu consultório e lecionando na faculdade de medicina. Não sou política, mas aceitei o convite do prefeito e acredito nesse projeto. Então, não vou parar meu trabalho, em nome das pessoas que fazem parte da minha equipe, que estão do meu lado e em nome da luta para que a mulher ocupe cada vez mais o lugar que ela quiser”, afirmou a secretária.

A agressão foi considerada pelo governo uma violência contra a mulher, uma vez que não foi questionado o projeto do Executivo, mas sim a moral e integridade da secretária, enquanto ela estava trabalhando. “Hoje foi um dia muito triste para Santo André. É de se lamentar que um local, onde deveria criar e aplicar as leis tenha servido de palco para descumprir uma lei. Violência contra a mulher é grave, muito grave. É difícil de acreditar que isso tenha acontecido numa casa de leis num município do tamanho do nosso”, declarou o prefeito Paulo Serra (PSDB).

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