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Cicaroni: ‘vivemos um momento triste, em que São Caetano não tem prefeito’

Cicaroni: “creio na política como ferramenta de transformação”. Foto: Divulgação
Cicaroni: “creio na política como ferramenta de transformação”. Foto: Divulgação

Em meados de junho, o presidente do Podemos em São Caetano, Luiz Antonio Cicaroni, foi anunciado candidato a prefeito caso haja nova eleição na cidade. O município aguarda desfecho do imbróglio que envolve o resultado das eleições de 2020. O ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) venceu o pleito, mas foi condenado em duas instâncias com base na Lei da Ficha Limpa. Assim, a validação de seus votos está condicionada ao eventual deferimento em instâncias superiores.

Ao Diário Regional, Cica­roni afirmou que é um momento triste da história da cidade, em que o gestor do município não foi escolhido democraticamente. Até que haja decisão, o presidente da Câmara, Tite Campanella (Cidadania), está à frente do Paço.

O que levou à decisão de sair candidato a prefeito em eventual eleição na cidade?

Sempre dediquei minha vida a São Caetano. Tenho um carinho enorme por esta cidade, foi onde constitui minha família e criei os meus filhos. Fazer política não pode ser apenas disputar eleições, buscar o poder pelo poder. Para mim, fazer boa política é a oportunidade de se construir a vida melhor para todos. Acredito na política como ferramenta de transformação. Sempre estive aqui para fazer o melhor pela cidade e pela nossa população.

São Caetano não tem prefeito. Vivemos um momento triste na história da cidade, onde o gestor do município não foi escolhido democraticamente e, por isso, optei por me desligar da administração e me colocar à disposição da população. Tenho certeza que com a experiência na administração pública por mais de 30 anos e a experiência de vida que adquiri, podemos fazer uma cidade mais justa e, como coloquei no slogan que venho usando, uma ‘São Caetano de Todos Nós’.

Como estão as articulações junto a outros partidos em apoio a seu projeto?

Estamos conversando com muitas pessoas na cidade, com lideranças políticas, e temos o apoio incondicional do Podemos, o nosso partido, para construir um projeto com os pés no chão. Um projeto que reflita o que espera a população de São Caetano.

Fabio Palacio, que foi o segundo mais votado no último pleito, também se coloca como candidato. Acredita que ele pode ser beneficiado em eventual eleição?

O Fabio Palacio foi vereador da cidade. É uma pessoa que tem um eleitorado e precisa ser respeitado. Estamos trabalhando, acima de tudo, para resgatar o orgulho do nosso povo. Em especial, chamar aqueles que deixaram de votar, ou estão desacreditados da política por conta da situação que vivemos, para fazer parte desse projeto e acreditar que é possível sim trabalhar com seriedade e responsabilidade.

O sr. sempre foi figura próxima a José Auricchio Júnior. Como analisa a si­tuação do ex-prefeito, que aguarda definição de instâncias superiores sobre sua situação eleitoral?

A análise é jurídica. Já houve condenações sequenciais. Dificilmente haverá reversão desse quadro, e quem está pagando por isso é a população com um prefeito tampão e que não foi o escolhido.

Sempre tivemos proxi­midade por conta do nosso traba­lho em São Caetano, mas, em alguns momentos precisamos fazer escolhas, e escolhi me manter ao lado da população, do lado da ética e da gestão responsável, por isso me desliguei da admi­nistração e estou certo de que posso contribuir muito com essa cidade.

O quanto essa situação está impactando na cidade?
Totalmente. Há um sentimento de abandono. Ninguém escolheu a pessoa que está governando. As pessoas que votaram no Auricchio se sentem injustiçadas, e quem votou nos candidatos que não venceram também ficou descrente da política.

Como analisa a gestão de Tite Campanella nos seguintes setores:
administração – O sentimento que temos é que ninguém, efetivamente, está administrando. O Tite não tem autonomia e o Auricchio não pode administrar. Então, fica essa expectativa da decisão e das novas eleições.

pandemia – Está tudo confuso. Já vivenciamos calendário atrasado de vacinação, prefeito querendo liberar as coisas para funcionar antes da hora, entre outras coisas. É muita confusão.

desenvolvimento – A cidade está parada. Todos esperam os desfecho desse imbróglio. Não dá para falar em desenvolvimento com pandemia e sem a definição de quem administra a cidade.

Quais as maiores demandas da cidade em sua opinião?

Continuam sendo saúde e educação. Com os altos custos no ensino particular, a transferência para a escola pública é muito grande. Daí a necessidade de otimizar as escolas, capacitar mais os profissionais da área. Enfim, criar condições ideais para proporcionar uma boa educação escolar. O mesmo se repete com saúde. Temos condições, mas precisamos agilizar os atendimentos com qualidade.
Vamos precisar de muito conhecimento e experiência para colocar as finanças da cidade no trilho, pois nos últimos anos a dívida consolidada líquida saltou de R$ 82,1 milhões para R$ 234,7.

Em caso de assumir o Paço, quais serão as prioridades?

O principal é dizer que vamos administrar São Caetano com respeito, priorizando o que deve ser prioridade. Não queremos uma cidade que só funciona na propaganda, mas sim, a São Caetano referência, de atenção com a população e de gestão responsável. Estamos trabalhando no nosso plano de governo e, certamente, vamos priorizar a educação, a saúde e a segurança.

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