Arte & Lazer, Teatro

Cia. Mundu Rodá apresenta espetáculo teatral Memórias da Rabeca pelo Youtube

Apresentação traz à luz histórias e personagens que continuam à margem da sociedade, da mídia e da justiça. Foto: Divulgação/Daniel Cunha
Apresentação traz à luz histórias e personagens que continuam à margem da sociedade, da mídia e da justiça. Foto: Divulgação/Daniel Cunha

A Cia. Mundu Rodá realiza, de 16 a 21 deste mês, às 19h, apresentações gratuitas e com tradução em Libras do espetáculo “Memórias da Rabeca”, pelo Facebook (www.facebook.com/munduroda) e Youtube (www.youtube.com/munduroda). Na sequência de cada apresentação, o grupo promove bate-papo do público com integrantes da equipe de criação do espetáculo e mestres rabequeiros convidados como Luiz Paixão (Condado-PE), Zé Pereira (Ariri-SP), Nelson da Rabeca e Dona Benedita (Marechal Deodoro -Al).

A apresentação revela memórias guardadas por sete rabecas, trazendo à luz histórias e personagens que ficaram e continuam à margem – da sociedade, da mídia e da justiça brasileira. Memórias que ecoam e atravessam os tempos e seus guardiões – os rabequeiros brasileiros – colocando em foco dinâmicas das relações entre o humano e a rabeca.

“Assim como nós, cada rabeca é única e possui uma persona sonora – afinam e desafinam. Cada rabeca tem sua digital sonora e cultural, e entre inúmeras possibilidades de ser e se reinventar, elas documentam histórias, por vezes inesperadas, de lugares quase esquecidos deste país”, afirma a Cia. Mundu Rodá.

RESISTÊNCIA

Memórias da Rabeca é uma obra de resistência poética dividida em sete atos: Cegos Rabequeiros; Maneirinha; Boi da Mão de Pau; Cultura Caiçara; Fandango – Resistência e Tradição; Iaua­retê; Minha Chã e Redemunho. Cada movimento é inspirado na obra de poetas e rabequeiros, como Cego Oliveira, Cego Ade­raldo e Cego Sinfrônio, Seu Nelson (AL) e Fabião das Queimadas (1848-1928), ex-escravo que comprou sua liberdade e de seus fami­liares com sua música e poesia.

Além de inspirações em histórias, mistérios e causos sobre tocadores pactários, como no conto “Meu Tio, o Iauaretê”, de Guimarães Rosa, e na cultura caiçara Paulista, suas relações com o Fandango e seus mutirões, e suas principais questões sociais, políticas e ambientais.

O espetáculo é fruto de intensa pesquisa artística rea­lizada por meio do intercâmbio com rabequeiros da Cultura Caiçara, Quilombola e Indígena do Litoral Paulista, também por meio de pesquisa histórica sobre rabequeiros que marcaram a música e a poesia no Brasil, além da pesquisa de campo continuada da Cia. Mundu Rodá junto aos rabequeiros do Nordeste Brasileiro (Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte)

“Nos anos em que residimos na Zona da Mata Pernambucana, aprendemos com nossos mestres e mestras que o aprendizado e a criação artística não são instâncias isoladas. Ali, as brincadeiras, as festas e os ritos são manifestações que refletem o modo como a comunidade entende as relações em várias esferas da vida. Do mesmo modo, buscamos este caminho na criação e na pedagogia que desenvolvemos, onde vida e arte ecoam juntas para expressar as possíveis e diferentes visões de mundo,” explica o grupo.

 

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