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Chuvas extremas em São Paulo serão cada vez mais comuns, diz cientista

As intensas chuvas que atingiram a Região Metropolitana de São Paulo na madrugada e na manhã desta segunda-feira (10), são exemplo de um fenômeno que tem se tornado cada vez mais comum na região, causado em parte pelas mudanças climáticas e o processo de urbanização desorganizada da cidade.

Revisão dos registros de chuvas ao longo das últimas sete décadas aponta que houve aumento significativo no volume total de precipitação nas temporadas de chuva ao longo do período. Enquanto na década de 1950 praticamente não havia dias com chuvas fortes – expressão usada para designar precipitações com mais de 50 mm -, hoje têm ocorrido de duas a cinco vezes por ano nos últimos dez anos.

É o que mostra um tra­balho recém-publicado por vários pesquisadores brasileiros li­e­­rados pelo climatologista José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“Os eventos extremos estão cada vez mais frequentes, ao mesmo tempo em que a vulnerabilidade da população também. Por isso desastres como enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra afetam cada vez mais pessoas”, disse Marengo.

Nesta segunda, ao falar sobre como o governo está lidando com o problema, tanto o governador João Doria (PSDB) quanto o secretário estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, argumentaram que as chuvas têm aumentado por causa das mudanças climáticas. Doria chegou a afirmar que “evitar por completo” os estragos com investimentos em infraestrutura não será possível em razão disso. “Mudança climática não é discurso de ambientalista. Está chovendo nessa década o que não choveu no século passado”, disse Penido.

De acordo com o pesquisador, os mais de 78 pontos de alagamento registrado pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climática (CGE) aconteceram porque o volume de chuva ultrapassou o que estava previsto na série histórica de 100 anos, usada para calcular o sistema de drenagem das chuvas.

Marengo afirma que as mudanças climáticas podem ter relação com o aumento de frequência da chuva, mas também o processo de urba­nização. “Não é segredo que as chuvas estão aumentando, mas as cidades continuam não preparadas. Não é a primeira vez que acontece isso e não será a última. Pelo contrário, esse tipo de evento como o de hoje tende a ficar cada vez mais frequente.”

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