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Chefe da equipe de negociações de paz com as Farc põe cargo à disposição

Acordo havia sido assinado na semana passada, em festa com a presença de vários chefes de Estado. Foto: Andrés Valle/ Presidência Perú

Em declaração divulgada na manhã de ontem (3), no Palácio de Nariño, sede do governo colombiano, o chefe da equipe de negociadores de paz, Humberto de la Calle, colocou seu cargo à disposição e disse que “seguirá lutando pela paz até o último dia de minha vida, mas não mais à frente dessa equipe”.

De la Calle agradeceu ao presidente Juan Manuel Santos por ser “valente e preferir a luta pela paz do que a inércia pela guerra” e insistiu que “a paz não foi vencida”. Disse respeitar os que votaram pelo “não” no plebiscito deste domingo (2) e reforçou que a oposição (Centro Democrático, o partido ligado ao ex-presidente Alvaro Uribe), “também quer a paz”.Ao final, declarou que assume toda a responsabilidade por erros que possa haver cometido durante as negociações.

Não à paz

Contrariando as pesquisas de intenção de voto, os colombianos rejeitaram neste domingo, em plebiscito, o acordo de paz negociado ao longo de quatro anos entre o governo de Santos e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O acordo havia sido assinado na semana passada de maneira festiva e com a presença de vários chefes de Estado da América Latina. O tratado previa o fim de uma guerra que envolve guerrilhas, grupos paramilitares e o Exército. O conflito se arrasta por 52 anos e já forçou 8 milhões de colombianos a deixar suas casas.

A oposição fazia ressalvas especialmente aos pontos da Justiça transicional, que permitiria anistia e indultos para ex-guerrilheiros acusados de delitos graves; também contestavam o artigo que garantia a participação política, com a concessão de dez cadeiras aos guerrilheiros no Congresso nas duas próximas legislaturas, além de subsídios para a formação do partido das Farc.

Repercussão

A rejeição do acordo de paz repercutiu na imprensa internacional. O jornal americano “The New York Times” afirmou em seu site que a derrota da paz “deixa uma nação em choque”. A versão digital do francês “Le Monde” destacou o resultado do plebiscito na capa de sua seção internacional, citando a “incerteza” que toma conta da Colômbia após a vitória do “não”.

O britânico “The Guardian” também noticiou com destaque o plebiscito em sua seção internacional. O jornal lembrou que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, estava tão confiante na vitória do “sim” que disse durante a campanha não ter um plano B em caso de derrota.

A homepage do espanhol “El País” trazia ao lado da manchete: “Colômbia rechaça pacto de paz com as Farc”. O alemão “Süddeutsche Zeitung”, ao noticiar o resultado do plebiscito neste domingo, afirmou: “Os colombianos não confiam mais na paz”.

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