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Célio Boi: ‘no período eleitoral a oposição enxerga defeitos que quando era governo não resolveu’

Célio Boi: ‘no período eleitoral a oposição enxerga defeitos que quando era governo não resolveu’
Célio Boi: “hoje o PSB tem uma pré-candidatura: Marcos Michels a prefeito e o Célio Boi a vice”. Foto: Arquivo

O vereador em Diadema Célio Lucas de Almeida, o Célio Boi (PSB), em visita ao Diário Regional nesta semana, fez um ba­lanço do governo Lauro Michels (PV), do qual foi líder na Câmara, e de seus três mandatos, além de se colocar como pré-candidato a vice em chapa pura encabeçada pelo colega de bancada Marcos Michels. Confira os principais trechos da entrevista.

Qual balanço faz de seus mandatos?

Nosso trabalho é voltado às questões sociais. Um trabalho mais olho a olho, até porque não podemos fazer nada que tire um centavo do cofre público. Avalio meus dois primeiros mandatos como positivos, porque, do contrário, não teria sido reeleito. Realizamos um trabalho sério, para que a cidade fique cada vez melhor.

Algum projeto que gosta­ria de destacar?

Quero destacar um projeto que já está pronto e foi protocolado, que é sobre as armas de fogo apreendidas em Diadema. A ideia é que todas as armas apreendidas em nossa cidade sejam levadas para o Fórum para serem legalizadas e depois entregues para a Guarda Municipal. Isso vai economizar recursos da prefeitura, além de equipar a GCM.

Em relação à política, o PSB vai ter candidato ao Exe­cutivo em 2020?

Meu candidato é o Marcos Michels. O PSB tem uma discussão em nível nacional que em todas as cidades acima de 200 mil habitantes os presidentes estaduais terão de desenvolver candidaturas próprias e, em Diadema, não é diferente. O (ex) governador Márcio França foi bastante incisivo: Diadema não terá candidatura própria se o Marcos não quiser ou se ele morrer, do contrário, será nosso candidato.

Acredita que o governo, que ainda não lançou nome para a majoritária, possa vir a apoiar o candidato do PSB?

Estamos conversando sobre essa possibilidade quase que toda a semana, já que estamos no governo desde 2015. O Marcos Michels, presidente do PSB, comandou a Câmara, e eu, como secretário-geral do partido, fui líder do governo Lauro e tenho certeza que fizemos de tudo para a administração não fosse ofuscada. Então, estamos discutindo com o governo e com os aliados a possibilidade de, em momento oportuno, sermos a candidatura do governo.

Quanto vereador, além do Marcos, quais outros nomes acredita que tenham chances de ser apoiados pelo governo?

Isso é uma questão muito orgânica. Não dá para a gente saber. Temos hoje o (deputado estadual) Márcio da Farmácia (Podemos), que diz para todo mundo que não é candidato (ao Paço). Tenho meu pé atrás, mas é coisa minha. Estão postadas as candidaturas do Marcos (Michels), a do Pretinho (presidente da Câmara/ DEM), e a Regina (Gonçalves, secretária de Ha­bitação), que diz que é candidata do governo. Não vejo outros.

Hoje o PSB tem uma pré-candidatura: Marcos a prefeito e o Célio Boi a vice, mas isso não quer dizer que se dentro da questão política da cidade, algo que possa agregar ao partido, não tenho problema nenhum em me retirar e concorrer a vereador.

Como vê o PSB no cenário político do ABC?

Santo André, Mauá, Dia­dema, Ribeirão Pires São Bernardo já têm discussões sobre pré-candidatos. Essa discussão que está sendo feita no ABC acaba sendo encabeça pela pré-candidatura de Márcio França na cidade de São Paulo. O desejo do PSB é ter candidatos nas sete cidades, mas acredito que em pelo menos quatro a cinco teremos candidatura própria.

Qual balanço o sr. faz dos avanços de Diadema sob a gestão Lauro Michels (PV)?

Temos diversos avanços, além do programa de regularização fundiária e do Plano de Desenvolvimento. Do meu ponto de vista, a cidade está muito mais limpa e mais bem cuidada. Na questão da regularização fundiária, não tem coisa melhor para o pai e mãe de família do que ter a posse de seu imóvel e o setor de Habitação tem trabalhado nisso com resultados muito positivos. Tem dado tão certo, que quase que a cada três meses têm feito uma ação nesse setor em algum ponto da cidade.

Outra questão que vejo avanço é em relação à segurança, mas especificamente com a colocação de luz LED na cidade. Além de Diadema estar ficando mais clara e mais bonita, (a medida) traz mais de segurança para quem anda pela cidade à noite.

Alguns pré-candidatos ao Paço para as eleições de 2020 afirmam que o Plano de Desenvolvimento implementado no final de 2018 é tardio. Como o sr. avalia esses comentários?

Não vejo dessa maneira, até porque tenho o pensamento de que ‘antes tarde do que não ter’. Não é fácil se abrir mão de imposto, principalmente na crise que está hoje. Porém, quando se abre mão de alguns impostos para que empresas x e y possam vir para a cidade, perde tributos, mas traz o empreendimento que vai criar emprego e renda, que vai pagar imposto depois.

Em relação ao Plano Diretor apresentado recentemente pelo governo, empresários têm relatado descontentamento quanto às mudanças.

O plano foi discutido por mais de seis meses. Não se discutiu em uma semana e na outra foi colocado para votar. Além disso, foi discutido com vários segmentos, comércio, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), com a indústria, com a construção civil; com associações que trabalham com construção de baixa renda.

Entretanto, alguns empre­sários não vão gostar mesmo. Por exemplo, empreendimentos imobiliários vieram para Diadema. Pergunto, quanto é que deram de contrapartida à cidade para que possa atender a demanda de moradia? Nenhuma. Em contrapartida, as associações que construíam em AEIS (Áreas Especiais e Interesse Social) ti­nham de dar 30% das suas unidades para a prefeitura. Então, ficava fácil construir.

Dentro dessa discussão, está baixando o porcentual dessas associações que trabalham (com imóveis) de zero a três (salários) para 5%, mas em contrapartida está colocando 5% para quem pretende construir na cidade. Estão reclamando porque vivemos em um mundo capitalista e, dentro dele, “mexer no bolso é mexer comigo”. Nunca deram nada para a cidade. Vêm aqui compram o terreno, vendem o empreendimento, colocam o dinheiro no bolso e vão para outra cidade, mas como fica aqui? A cidade é que absorve as famílias desses empreendimentos que precisam de transporte, saúde, creche. Esse plano diretor vem discutir isso e acaba mexendo com os empresários, que não vão gostar mesmo.

Pesquisa divulgada na última semana mostrou que o governo Lauro e mal avaliado, principalmente nas áreas de saúde e segurança.

Faço a mesma análise que o prefeito na área da saúde, apesar de discordar de alguns pontos: a cidade absorve na rede pessoas do entorno do município. Por exem­plo, se a pessoa sofre acidente na Imigrantes, não vai para São Bernardo, que não tem hospital de porta aberta. Então, para aonde vão? Tudo para Diadema. Atendemos em nossa rede mais que o dobro de moradores da cidade, hoje em torno de 450 mil habitantes. Pode ter certeza que atendemos todos os meses mais de um milhão de pessoas.

Qualquer pesquisa que se fizer vai dar saúde, segurança e agora, segundo pesquisa que fizemos (o governo), cresceu o desemprego. Porém, ainda vejo que o governo Lauro não está tão ruim como andam falando. Agora, quando chega no período eleitoral a oposição começa a enxergar um monte de defeitos que outrora, quando estavam no governo – porque todo esse povo da política da cidade passou pelo governo – não resol­veram. Tem problemas que não há solução. No Brasil inteiro tem problemas na saúde.

Com relação à segurança, o prefeito afirmou que chegou no limite do que pode fazer e que esse setor é responsabilidade do Estado.

O que posso falar é que as três forças de segurança da cidade tinham de estar juntas: Guarda Municipal, que é da prefeitura, Polícia Militar e Polícia Civil. Quando isso, de fato, começar a acontecer, vamos ter uma melhora significativa na segurança da cidade.

Fiz muitas reuniões do Conseg (Conselho de Segurança), tanto em São Paulo quanto em Diadema, e a gente vê que se existe um problema violência, por exemplo, no Guacuri, aí as polícias Civil, Militar e a Guarda iam lá e acalmava tudo. O que acontecia? Iam para o Jardim Miriam. A mesma coisa ocorre em Diadema. O Eldorado tem um índice maior de violência, vão lá, fazem fiscalização forte lá, quando você vê (os criminosos) já migraram para o Campanário.

O poder de polícia está com o Estado, não com a cidade. O município tem a Guarda Municipal que dá uma assessorada, mas não tem o mesmo poder das polícias Civil e Militar.

Com a volta da cidade para o Consórcio Intermunicipal, acredita que Diadema será mais beneficiada nas questões regionais, já que saiu alegando que o valor pago mensalmente não trazia retorno para a cidade?

Não posso avaliar o retorno, até porque não acompa­nhei. Posso avaliar a questão do Consórcio quando fui líder de governo do Lauro por dois anos, justamente quando foi votada a saída da entidade. Enquanto eu não ver uma obra, uma ação efetiva do Consórcio, que as cidades de juntaram e trouxeram do governo federal ou estadual, ou os sete municípios se juntaram e se cotizaram para fazer uma obra em Diadema, não acredito (na efetividade da participação).

O que sei, é que vieram para cá dois ou três carros, se não me falha a memória, para a Defesa Civil. Pensa, te dou carros mil que custam hoje cerca de R$ 40 mil, R$ 50 mil cada, e eu pago quase R$ 200 por mês. Então, te dou três carros por mês para você me dar um. A conta não bate.

Por exemplo, a questão do hospital aqui em Diadema. O Consórcio não foi a Brasília, ou uma cidade abriu mão de um recurso para construir um hospital de ponta em Diadema. Por que o Consórcio não defendeu a vinda do metrô para Diadema? Então, não vejo benefícios que o Consórcio trouxe em troca do valor despendido.

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