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Carnes aceleram a inflação oficial, que registra em 2019 a maior taxa em três anos

Carnes aceleram a inflação oficial, que  registra em 2019 a maior taxa em três anos
No ano passado, carne acumulou alta de 32,4% puxada pelo aumento das exportações. Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

A disparada nos preços das carnes impulsionou a inflação oficial no país tanto em dezembro quanto no fechamento do ano passado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo encerrou dezembro com taxa de 1,15%, maior variação para o mês desde 2002. Como resultado, o IPCA fechou 2019 em 4,31%, maior alta desde 2016, quando acumulou 6,29%.

O índice de 2019 ficou acima do centro da meta de 4,25% perseguida pelo Banco Central, mas dentro da margem de to­lerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

A alta das carnes foi puxada pelo aumento das exportações para a China e pela desvalorização do real.

Em dezembro, o produto fi­cou 18,06% mais caro. Foi o item de maior impacto indivi­dual o IPCA do mês, equiva­lente à contribuição de 0,52 ponto porcentual. No ano, a variação acumulada foi de 32,40%.

No final do ano passado, o preço da carne subiu tanto que os consumidores mudaram seus hábitos e trocaram o produto por frango, ovos e peixe.

Como resultado do aumento da demanda, ou­tras proteí­nas também encareceram em dezembro: o frango inteiro subiu 5,1% e os pescados, 2,37%.

“Tem o efeito substituição e, por isso, outras proteínas aca­baram afetadas. O consu­midor vê que a carne está cara e procura outras proteínas. Is­­so aumenta a demanda pelos substitutos e eleva o preço também”, explicou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela medição do IPCA.

Sem a pressão das carnes, a inflação oficial de dezembro teria sido 0,64% (0,51 ponto porcentual a menos) e a do ano passado, 3,54% (-0,77 p.p.)

O gasto das famílias com alimentação e bebidas teve ele­vação de 3,38% em dezembro, maior taxa para o grupo desde dezembro de 2002, quan­do subiu 3,91%. No acumulado do ano houve alta de 6,37%.
Assim como as carnes, os combustíveis também pressio­naram a inflação em dezembro. As famílias gastaram 1,54% a mais com transportes. No ano, o grupo avançou 3,57%.

Os preços dos combus­tí­veis subiram 3,57% em de­zembro, impulsionados pe­la al­ta de 3,36% na gasolina, se­­gundo maior impacto individual no IPCA do mês (contribuição de 0,14 ponto porcentual). O etanol ficou 5,50% mais caro. No ano, o derivado do petróleo avançou 4,03%.

As passagens aéreas re­gistraram alta de 15,62% em dezembro, terceiro maior impacto no mês, o equivalente a 0,07 ponto porcentual.

No grupo Habitação, o maior impacto veio do preço da energia elétrica, que acumulou alta de 5% em 2019. De acordo com o IBGE, a mudança de bandeira tarifária influenciou o comportamento desse componente.

Segundo Ernani Reis, ana­lista da consultoria Capital Re­­search, o IPCA foi bem recebi­do pelos agentes financeiros. “Apesar da grande influência dos preços da carne e dos combustíveis em novembro e dezembro, a disparada dos índices no final do ano não deve continuar em 2020”, afirmou o analista, projetando queda do IPCA pa­­ra o centro da meta do BC.

JUROS

A alta do IPCA de dezembro deve reforçar o tom cauteloso adotado recentemente pelo Banco Central – que, em carta divulgada no último dia 17, não se comprometeu com nova redução da taxa básica de juros no próximo encontro do Comitê de Política Mone­tária (Copom), marcado para fevereiro. Na última reunião, realizada no dia 11, o órgão reduziu a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 4,5% ao ano, o menor patamar da história.

Na ata, o Copom afirmou que a economia brasileira “ga­nhou tração” e que “o atual es­tágio do ciclo econômico re­­comenda cautela na condu­ção da política monetária”.

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