Esportes, Futebol

Capitão do tri, Carlos Alberto Torres morre aos 72 anos

Torres ergue a Jules Rimet após a vitória brasileira na final de 1970 e posa para fotos durante o Tour da Taça, em 2014

Morreu ontem (25), vítima de infarto, o maior lateral direito da história do futebol brasileiro. Líder natural e dono de estilo “durão” que aliava força física, habilidade e disciplina tática, Carlos Alberto Torres (1944-2016) se consagrou como capitão da conquista do tricampeonato mundial da seleção brasileira, em 1970.

Foi o único capitão de equipe campeã de Copa do Mundo a balançar as redes na final. Vibrou com os colegas e passou, desde aquele momento, a se imaginar recebendo a Jules Rimet. Eternizou um gesto: o beijo na taça, repetido por todos os capitães campeões mundiais desde então.

“Me deu uma vontade, sem pensar, de beijar a taça. Foi a primeira vez que alguém beijou a taça, e hoje todo mundo faz isso. Então eu fui pioneiro: beijar antes de erguê-la e passar para os companheiros”, disse o “Capita”, como era conhecido pelos colegas.

O gol e o gesto de Carlos Alberto simbolizam a seleção brasileira que mais encantou na conquista de uma Copa do Mundo. Nenhum dos times campeões nas outras vezes (1958, 1962, 1994 e 2002) contou com um conjunto de jogadores tão fabulosos, especialmente do meio-campo para a frente: Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho, Clodoaldo, Rivellino e, por que não?, Carlos Alberto Torres, considerado um precursor entre os laterais que apoiavam o ataque, que “iam e vinham” com frequência, o jogo todo.

Hoje, todo lateral de qualidade, “moderno”, ataca e defende com a mesma eficiência, uma característica do futebol do Capita.

Cria das divisões de base do Fluminense, Carlos Alberto Torres nasceu no Rio de Janeiro em 17 de julho de 1944. Começou a atuar na equipe principal do clube das Laranjeiras em 1962, aos 17 anos, e em 1964 ganhou o Estadual. Porém, foi no Santos de Pelé e companhia que fez de fato seu nome, sendo campeão paulista cinco vezes (1965, 1967, 1968, 1969 e 1973), faturando uma vez a Taça Brasil (1965) e outra o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), principais competições do Brasil à época.

Em 1971, esteve emprestado ao Botafogo e, depois de deixar o Santos, clube pelo qual atuou 445 vezes e marcou 40 gols, defendeu novamente o Fluminense, por três anos (1974-1977), e o Flamengo antes de emigrar para os EUA, onde vestiu a camisa do Cosmos de Nova York, ao lado de Pelé, Beckenbauer e outros grandes nomes do futebol mundial, e a do California Surf. Aposentou-se em 1982, defendendo o Cosmos.

Política

Teve então passagem pe­la política. Foi vereador do Rio pelo PDT, entre 1989 e 1993, e em 2012 chegou a dizer que poderia ser candidato a presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o que não ocorreu.

Às vésperas da Copa de 2014, no Brasil, Carlos Alberto, embaixador do evento, fez aparições ao lado da Taça Fifa no tour do troféu pelo país. Repetia sempre seu gesto mais célebre: o beijo na taça.

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