Saúde e Beleza

Câncer metastático: entenda o caso de Bruno Covas

O prefeito licenciado de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), foi transferido nesta segunda-feira (3) para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, na região central da capital paulista, e teve de ser intubado após exames detectarem uma hemorragia em um dos órgãos atingidos pelo câncer que o prefeito enfrenta desde novembro de 2019. Nesta segunda à noite o prefeito foi extubado.

O sangramento de Covas foi detectado por uma endoscopia e está sendo tratado com “medidas de hemostasia local”, segundo boletim médico divulgado na manhã desta segunda. “O prefeito Bruno Covas foi encaminhado para Unidade de Terapia Intensiva submetendo-se a intubação oro-traqueal e recebendo as medidas adequadas de suporte clínico”, informa o boletim médico.

Nos últimos dias, a equipe médica responsável pelo acompanhamento do prefeito anunciou que novos sinais de agravamento de seu estado de saúde indicavam a necessidade de ele passar por novas sessões de quimioterapia e imunoterapia – medicação que tem como principal função ativar o próprio sistema imune do paciente para que reconheça as células malignas e combata assim diretamente o inimigo – para tratar do câncer, localizado na transição entre o estômago e o esôfago, e que apresentava sinais de presença no fígado e nos ossos.

Um dos pontos que faz-se necessário esclarecer é que os tumores agora detectados não significam que o prefeito tenha desenvolvido outros tipos de câncer. Pelo contrário: têm relação direta com o diagnóstico feito há cerca de 18 meses.

“Em muitos casos de p­acientes com tumores malignos, mesmo com o tratamento, é possível que células cancerígenas se soltem do órgão original onde a doença está localizada e tentem ‘viajar’ para outra parte do corpo. Em geral, esse trajeto não dá certo e essas células são eliminadas pelo organismo. Porém, quando conseguem alcançar uma nova área e se estabilizar, acabam gerando uma multiplicação da doença e o aparecimento do câncer em outra parte do corpo. É o que denominamos metástase”, afirma Renata D’Alpino, oncologista e coordenadora do grupo de tumores gastrointestinais e neuroendócrinos da Oncoclínicas.

As metástases indicam a necessidade de ajustes nas condutas terapêuticas adotadas, de acordo com as etapas evolutivas da linha de cuidado oncológica. Essas mudanças são necessárias para que o tratamento possa surtir o efeito desejado e frear o avanço do cân­cer. Segundo a especialista, vale destacar que, embora afete ou­tros órgãos, em casos como o de Bruno Covas, os novos tumores malignos têm as mesmas características da doença inicial e, por isso, não podem ser classificados ou tratados como sendo um câncer diferente.

“De forma simplificada, quando o câncer de localizado em uma parte do corpo causa metástases em outro órgão, as células que formam o novo tumor mantêm as suas características de origem, como se fossem uma espécie de clones. Por isso, o recomendável é seguir o protocolo de tratamento convencional indicado para o tipo de tumor primário, podendo nesta situação ser recomendada quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia”, destaca a médica.

METÁSTASE

A metástase geralmente é diagnosticada por meio dos exames contínuos de acompanhamento do paciente, essenciais para que sejam tomadas medidas rápidas para dar sequência ao controle da doença. Esses testes também ajudam na escolha das abordagens a serem adotadas, que levam em conta a origem da doença, o tamanho e a extensão do tumor. “O câncer, mesmo quando tendo avançado para outras partes do corpo, pode apresentar boas res­postas às terapias empregadas, assegurando qualidade de vida ao paciente mesmo quando a cura não seja possível – ainda que momentaneamente, já que ciência e a medicina evoluem a passos largos para a geração de tratamentos cada vez mais avançados visando transformar o câncer futuramente em uma doença crônica, que com os cuidados certos pode ser totalmente controlado”, explica Renata D’Alpino.

Segundo a oncologista, é preciso reforçar que as palavras-chave quando o assunto são as neoplasias malignas são prevenção e detecção precoce. É possível reduzir os riscos de surgimento de vários tipos de tumores a partir de hábitos alimentares saudáveis, prática de atividades físicas regulares e controle do peso. No caso dos tumores gastrointestinais, a obesidade, somada à ingestão em excesso de alimentos ultraprocessados – como salgadinhos, biscoitos, enlatados, pratos congelados, macarrão instantâneo, achocolatados, refrigerantes e bebidas com sabor artificial de frutas -, figuram entre os principais fatores que podem desencadear a doença.

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