Saúde e Beleza

Câncer de mama e a destruição da autoimagem

O diagnóstico de câncer de mama, para muitos, é consi­derado uma sentença de morte. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), a doença é o tipo mais comum entre as mulheres em todo o mundo, representando quase 25% dos casos.

Ao receber o diagnóstico, é comum a paciente sair do consultório arrasada e sem esperança de recuperação. Essa condição ainda é mais cruel quando identificada a necessidade iminente de mastectomia (retirada total ou parcial das mamas).

“Por esse motivo, o acompanhamento psicológico é essencial para que a paciente possa entender o seu momento e como os medos e as angústias interferem na resposta positiva ao tratamento. É comum estágios depressivos e isolamento social. A doença é encarada como uma ação destruidora, que chegou para puni-la”, explica o psiquiatra especializado em medicina psicossomática e hipnose, Leonard Verea.

Segundo o especialista, a mutilação do corpo feminino em uma região tão significativa como as mamas faz com que a mulher tenha uma visão distorcida de si, como uma sensação de menor valor perante às outras tanto na vida pessoal quanto profissional. “Adaptar-se à nova imagem do seu corpo exige esforço bastante grande para o qual, muitas vezes, não está preparada. Por isso, a mulher precisa de apoio de alguém confiável. O companheiro tem papel importante nesse momento.”

TERAPIA DE CASAL

A terapia de casal é uma alternativa indicada porque também para o homem é um momento delicado. O companheiro será instruído a entender a condição da mulher e terá respaldo para auxi­liá-la nos momentos mais desafiadores, como o pós-operatório e as sessões de quimioterapia. “A queda dos cabelos também mexe muito com o feminino. As adeptas de longas madeixas tendem a perder a identidade e a referência do que é belo”, explica o psiquiatra.

Estudos recentes apontam que a maior parte das pacientes diz não ter mais perspectivas e planos para o futuro. Nesse sentido, o processo terapêutico ajudará a paciente a se reintegrar às vidas social, profissional e íntima. “Uma doença como essa tem o poder de mudar trajetórias, pensamentos e comportamentos. A paciente, com certeza, passará a encarar a vida de forma diferente”, afirma Verea.

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