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Câmara de Diadema entrega Medalhas Legislativas a 15 “Yabás Mãe Rainha”

Projeto que prevê homenagem às Orixás femininos é de autoria do vereador Josa Queiroz

Sessão solene em homenagem às yabás ocorreu no Teatro Clara Nunes. Foto: Dino Santos/PMD
Sessão solene em homenagem às yabás ocorreu no Teatro Clara Nunes. Foto: Dino Santos/PMD

A Câmara de Diadema rea­lizou, nesta quarta-feira (22), no Teatro Clara Nunes, sessão solene para entrega de medalhas a 15 yabás, nome utilizado para se referir às Orixás femininos, cujo significado é “Mãe Rainha”. O projeto que prevê o Dia das Yabás, as Orixás Femininas é de autoria do líder de governo, Josa Queiroz (PT). Diadema é a única cidade a realizar essa homenagem.

“É uma satisfação muito grande, não apenas do ponto de vista de criamos uma lei que dará conta de anualmente ho­menagear as yabás, dentro de nossa religião, que é predominantemente matriarcal. Na con­dição de vereador me sinto muito feliz de poder contribuir com este momento”, afirmou Josa.

O Candomblé é essencialmente matriarcal, com muitas mães de santo no comando de seus terreiros, preservando tradições africanas sob a regência da força feminina, acentuando ainda mais a importância de cada Yabá.

A concessão da Medalha Legislativa do Mérito Social e Cultural “Yabás Mãe Rainha” é mais do que uma homenagem, é o reconhecimento da ancestralidade dessas mães, haja vista a conexão ancestral ser a fonte de sabedoria, identidade, pertencimento e saúde.

Para as religiões de matriz afri­cana, honrar os ancestrais e os mais velhos significa reconhecer a sabedoria dos que vieram antes de nós. Significa tomar a vida em sua plenitude.

A prefeita em exercício, Patty Ferreira, destacou a importância da cerimônia, que evidenciou o sagrado, do feminino e a religiosidade da matriz africana.

“Fui criada com toda essa representatividade que vi aqui (no palco), com toda essa importância que temos na nossa religiosidade de matriz africana. Hoje termos este espaço onde podemos cultuar nossos orixás e nossa ancestralidade, onde podemos usar nossos trajes e nossas guias, onde podemos mostrar quem de fato nós somos, principalmente em um mês tão importante, que é o Mês da Igualdade Racial. Essa propositura do Josa, o número 15 precisa ser multiplicado, para que possamos fazer a nossa voz e nosso tambor possam ecoar cada vez mais e fazer com que se perca o racismo. Que possamos nos permitir dizer ‘eu sou do axé, da umbanda, do candomblé; sou de matriz africana’ sem medo de sair na rua, de morrer, por ser do axé ou preto ou preta. Fico muito grata neste dia, de ver tantas mulheres sendo homenageadas aqui, de estar prefeita em exercício”, destacou Patty.

CERIMÔNIA

O evento contou com diversas apresentações de cunho religioso. O Grupo Chão de Raiz representou a Tenda Espírita de Umbanda Ogum das Matas e Cacique Pena Dourada, praticantes da religião nascida no Brasil, a Umbanda. Já o Babalorixá Nélson Abê Manjá comandou ‘Ilê Axé Nochê Abê Manjá Orubarana’, representando a religião Ketu, raiz Iorubá. O tambor de Mina pelo Kwê Mina Odan Axé Boço DaHô, comandado pela Onontochê Sandra de Boço Xadantã, tem origem no antigo Reino do Dahomé, onde, atualmente, situa-se Benin, na África.

Inicialmente, a cerimônia contaria com a entrega do título de Cidadã Diademense à Rainha Ronke Ademiluyi-Ogunwusi, do Reino de Ifé, a qual, segundo nota oficial, não veio para o Brasil devido “a desafios estão além do controle do palácio”.

A rainha enviou vídeo, divulgado durante a cerimônia, no qual pede desculpas pelo imprevisto e afirma que já se sente uma cidadã de Diadema. Destacou que em breve espera vir para o Brasil e que visitará Diadema para realizar as ações que estavam programadas para este dia 22.

Como a Rainha Ronke será homenageada com samba enredo da Unidos da Peruche em 2024, “Da Cultura do Reino de Ifé, ao legado da Rainha Ronke”, espera-se que venha para o Brasil para o carnaval do próximo ano.

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