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Câmara barra denúncia de corrupção contra Michel Temer

Deputados da oposição levaram cartazes contra Temer para a sessão. Foto: Antonio Augusto / Câmara dos DeputadosA Câmara dos Deputados barrou nesta quarta-feira (2) a denúncia em que a Procuradoria-Geral da República acusa o presidente Michel Temer de ter cometido crime de corrupção. Votaram com Temer 263 deputados, que foram contrários à autorização para o Supremo Tribunal Federal (STF) analisar o caso.

Outros 227 foram favoráveis ao aval a essa acusação do Ministério Público, que tem como base a delação de executivos da JBS. Estiveram ausentes 19 deputados (na prática, votando com o presidente), e houve duas abstenções.

Temer nega todas as acusações e diz que a peça assinada por Rodrigo Janot é uma “ficção” baseada em um ato criminoso patrocinado por um “cafajeste” e “bandido” -em referência à gravação feita por Joesley Batista, da JBS, de uma conversa que o empresário teve com o presidente no porão do Palácio do Jaburu. Com a decisão da Câmara, a denúncia fica congelada até o fim do mandato de Temer.

Toma lá, dá cá

Com um dos menores índices de popularidade da história, na casa dos 7%, Temer é o primeiro presidente da história do país denunciado no exercício do cargo. Desde que ficou com o mandato sob risco, promoveu uma série de ações com o intuito de angariar votos na Câmara, principalmente do chamado “centrão”, grupo de legenda médias e grandes, como PP, PR e PTB, que reúne cerca de 200 deputados.

Temer recebeu individualmente mais de uma centena de deputados -só nesta terça (1º) se encontrou com ao menos 35, incluindo o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP-SP), almoçou com 58 ruralistas e foi a um jantar para o qual foram convidados 100 integrantes do baixo clero.

Vários pleitos foram atendidos, como cargos na máquina federal e dinheiro para as emendas que os parlamentares fazem ao Orçamento. Nesta quarta, por exemplo, o deputado Carlos Gaguim (Podemos-TO) foi à tribuna conclamar os ministros de Temer -vários deles no plenário – a continuar a liberar verbas para as emendas.

O ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), que reassumiu o mandato de deputado para a votação desta quarta, conferia a todo momento com o deputado Beto Mansur (PRB-SP), no meio do plenário, lista com liberação de emendas aos deputados. Blairo Maggi (Agricultura) despachou de uma das cadeiras do plenário, com auxílio de assessores da pasta. Deputados chegaram a entregar aos ministros listas por escrito com seus pleitos na administração federal.

Sustentação

Apesar de ter aberto o cofre e mandado um batalhão de ministros para negociar demandas na Câmara, Temer teve votos contrários em praticamente todos os partidos de sua base de sustentação, inclusive no PMDB. Seis deputados da sigla do presidente votaram a favor da denúncia.

O PSDB rachou. Foram 21 votos contra Temer e 22 a favor. No DEM foram cinco votos contra o Palácio. O PRB registrou 7 votos contra e 15 a favor. PR e PSD também deram contingente expressivo de votos contra Temer (10 e 14, respectivamente). A legenda mais fiel, entre as principais, foi o PTB, com apenas dois “infiéis”.

No PP 37 votaram a favor de Temer, sete contra e três não votaram. No PSC foram cinco votos favoráveis ao governo e quatro contrários. Na oposição, o PSB o único dividido. Enquanto 22 votaram contra Temer, 11 o apoiaram. Dois não votaram. No PPS, apenas o deputado Arthur Oliveira Maia (BA), relator da reforma da Previdência, votou a favor de Temer.

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