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Câmara aprova relatório da CPI e pedido de prisão de Miraglia

Fuzari: “Miraglia tem condições de atrapalhar a continuidade das investigações”. Foto: Eberly Laurindo

Na última sessão do ano, a Câmara de São Bernardo aprovou por unanimidade o relatório final elaborado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigou possíveis irregularidades no Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo (Imasf) do município. No documento, a comissão sugere a prisão preventiva do ex-superintendente da autarquia Valdir Miraglia. Segundo a CPI, o dirigente seria o responsável por rombo orçamentário que pode chegar a R$ 100 milhões. O documento final agora segue para o Ministério Público (MP).

“Esse relatório pede que todo o corpo diretivo responda por crime e que o MP peça a prisão preventiva do senhor Valdir Miraglia, porque tem condições de atrapalhar a continuidade das investigações, tendo em vista que existem elementos comprobatórios das irregularidades praticadas na gestão dele”, explicou o relator da CPI, o vereador Julinho Fuzari (PPS). De acordo com o popular-socialista, o ex-superintendente do instituto também teria mentido à CPI quando afirmou não ter deixado dívidas à sua sucessora, Gloria Konno.

“Dos bens móveis e tangíveis, estima-se diferença de R$ 30 milhões no patrimônio do Imasf. Além disso, existe a questão do caixa. (Miraglia) pegou caixa com mais de R$ 60 milhões e entregou com déficit de R$ 8 milhões. A Gloria entregou documentos que comprovam esse rombo, então, ele mentiu para a CPI. Vale destacar que coloquei no relatório apenas o que podemos comprovar”, disse.

Presidente da Associação dos Usuários do Imasf, Lúcia Ramacciotti comemorou a aprovação do relatório, mas sustentou que documento é apenas o “início” do trabalho para reestruturar a autarquia. “Alcançamos o primeiro degrau, porque a luta ainda vai continuar. A CPI atingiu um único foco, mas é um início. Foi a maneira mais lógica de começar a resolver o problema”, destacou.

Membro da associação, o ex-candidato à Prefeitura de São Bernardo pelo PSOL Aldo Santos, por sua vez, atribuiu a instauração do processo e o avanço dos trabalhos à “pressão” dos usuários. “A pressão dos usuários foi determinante, porque os vereadores não tinham vontade política de viabilizar a CPI. Apurou-se de forma limitada. A apuração deveria inclui o período anterior à atual gestão e centrar fogo à atual gestão também. É um relatório parcial, mas a associação vai continuar lutando para que mais coisas possam ser reveladas. Esperamos que o MP tome as medidas imediatamente”, destacou.

Próxima gestão

Com o fim do governo do prefeito Luiz Marinho (PT), no final deste mês, novo corpo diretivo para comandar o instituto deverá ser indicado pelo prefeito eleito, Orlando Morando (PSDB). De acordo com a presidente da associação dos usuários, u carta-compromisso com as reivindicações da categoria já teria sido assinada pelo tucano. “Separamos as nossas reivindicações e indicamos quatro nomes para acompanhá-las”, disse Lúcia Ramacciotti.

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