Esportes, Futebol, Libertadores

Calendário se torna novo obstáculo na Libertadores

Nacional de Medellín comemora o título do ano passado. Foto: ArquivoAs longas viagens e o clima hostil nos jogos fora de casa sempre foram apontados como obstáculos para o sucesso dos times brasileiros na Copa Libertadores. Porém, neste ano, novo empecilho ameaça as oito equipes do país no torneio: o calendário.

Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Palmeiras e Santos terão de disputar simultaneamente à Libertadores os Estaduais, o Brasileiro e a Copa do Brasil.

A fase de grupos, a primeira para a maioria dos clubes brasileiros, começa hoje (7) e só daqui a quase nove meses será conhecido o campeão.

Até o ano passado, a Libertadores tomava apenas o primeira metade da temporada. É por causa do alongamento do calendário que os times mexicanos, pela primeira vez desde 1997, não participam da competição interclubes.

Com isso, cresce ainda mais a necessidade de os clubes montarem elencos diversificados e numerosos, para dar conta da maratona de jogos até 29 de novembro, quando ocorre o segundo jogo da final da Libertadores.

“Antes, o mata-mata era realizado em dois, três meses. Com isso, muitos times foram campeões pelo bom momento que viviam na época. Agora, no meu entender, o campeão vai ser o time que tiver mais regularidade durante o ano”, disse o treinador do Palmeiras, Eduardo Baptista.

Campeão brasileiro, o alviverde é um dos favoritos ao título, principalmente pelos altos valores gastos em contratações de jogadores que se destacaram no torneio recentemente – Borja e Guerra, campeões com o Atlético Nacional no ano passado, custaram R$ 43 milhões.

É nas fases finais da competição sul-americana, em que o Palmeiras almeja chegar, que a maratona de jogos dos clubes tende a se agravar. A penúltima rodada do Brasileiro, por exemplo, será realizada entre os jogos de ida e volta da final da Libertadores.

“Na fase final, a logística da Libertadores pode atrapalhar, já que você pode fazer uma viagem longa e que desgasta seu elenco. Afeta a parte técnica, e, na sequência, tem de disputar uma partida pelo Brasileiro”, afirmou Eduardo Maluf, diretor de futebol do Atlético-MG.

Outro fator ao qual os clubes terão de se adaptar – e não apenas os brasileiros – é a janela de transferência.

“Antes colocávamos no contrato que só liberaríamos o jogador após a disputa da Libertadores. Agora fica mais difícil porque a competição é disputada o ano inteiro”, disse Rui Costa, diretor executivo da Chapecoense.

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, concorda que, neste ano, as dificuldades são maiores, mas vê coincidências entre o torneio atual e o único conquistado pelo clube “Em 1981, em menos de um mês, conquistamos os títulos do Estadual, da Libertadores e do Mundial de Clubes”, lembrou Mello.

Tudo pela audiência

O inchaço no número de brasileiros – aumento de seis para oito participantes – tem uma explicação: a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol) pretende negociar a partir de 2018 o novo contrato de direitos de transmissão do seu principal torneio continental. A entidade acredita que em nenhum outro mercado poderá obter retorno maior do que no Brasil.

Historicamente, a Libertadores tem forte apelo de público e audiência na TV, mas retorno financeiro pífio aos clubes. A Fox é a detentora dos direitos no continente americano. No Brasil, são sublicenciados à Globo.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*