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Caixa suspende linha Pró-Cotista para compra de imóveis usados

Caixa suspende linha Pró-Cotista para compra de imóveis usados
Santaguita: “Quando a venda de imóvel usado é dificultada, afeta-se a cadeia produtiva”. Foto: Arquivo

A Caixa Econômica Fe­de­­ral suspendeu a linha de fi­nanciamento Pró-Cotista pa­ra imóveis usados, que é a mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida. Segundo a instituição, a suspensão ocorreu porque todo o limite destinado à operação em 2018, de R$ 1,4 bilhão, foi usado.

De acordo com o banco, a linha Pró-Cotista para imóveis novos, que possui orçamento de R$ 2,1 bilhões neste ano, ainda está aberta.
A linha só pode ser acessada por trabalhadores com pelo menos três anos de vínculo com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Os be­neficiados precisam estar trabalhando ou ter saldo na conta do FGTS equivalente a pelo menos 10% do valor do imó­vel. Não há limite de renda.

A Pró-Cotista tem recebido muita demanda nos últimos anos por causa da escassez de recursos de fontes com taxas de juros equivalentes, como a caderneta de pou­pança. Isso fez a participa­ção da linha no total de financiamento imobiliário, que era de apenas 1% em 2014, saltar para mais de 10%.

“A Caixa informa que, até o momento, não há previsão de retomada da linha moda­lidade Pró-Cotista – Imóveis Usados, suspensa em razão do cumprimento do orçamento disponibilizado para 2018”, afirmou o banco por meio de sua assessoria de imprensa.

PACOTE

No último dia 31, em uma série de medidas de estímulo à construção civil, o governo flexibilizou as regras para empréstimo imobiliário pelos bancos e elevou o limite de valor dos financiamentos de imóveis que permitem o uso de recursos do FGTS.

As mudanças entrarão em vigor em janeiro de 2019. Entre as medidas figura o aumento no teto do imóvel financiado dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) de R$ 950 mil – valor válido hoje para comprado­res de imóveis em São Paulo, Minas Gerais, Rio e Distrito Federal – para R$ 1,5 milhão em todos os estados do país.

O presidente da Associação de Construtores, Imobi­liárias e Administradoras de Imóveis do ABC (ACIGABC), Marcus Santaguita, comemorou o aumento no limite de financiamento de imóveis, apesar de considerar limitado o efeito da medida no setor.

“Trata-se de uma boa medida, pois incentiva o crédito, mas o alcance é limitado, uma vez que imóveis na casa de R$ 1,5 milhão só podem ser adquiridos por uma faixa muito restrita de clientes, como microempresários e pro­fissionais liberais”, disse.
Santaguita, porém, la­men­­­­tou o suspensão da Pró-­Cotis­ta.

“Normalmente, o pro­­prie­tário vende o imóvel usado para fazer um upgrade e adquirir um novo, maior e mais bem localizado. Quando é dificultada a comerciali­za­ção do imóvel usado afeta-se, indiretamente, a cadeia produtiva.”

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