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Caixa não renovará patrocínio da equipe de São Bernardo

Há quatro anos, a Caixa Econômica Federal resolveu estender o apoio que já dava à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) e passar a patrocinar também um clube. O projeto escolhido foi o de São Bernardo, que tinha como responsável o técnico Fernando de Carvalho Lopes, atualmente acusado por mais de 40 ex-atletas de ter cometido abuso sexual.

Agora, após investimento de mais de R$ 3 milhões na equipe, a Caixa decidiu encerrar o patrocínio, que envolvia ainda os naming rights do centro de treinamento de ginástica e o estádio de atletismo.

Inicialmente o banco havia informado à reportagem que avaliava “todas as medidas cabíveis”. Ontem, foi mais específico e revelou que já havia decidido não renovar o acordo, de R$ 1,8 milhão ao ano, e que vence em agosto.

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo, por meio da secretaria de Esportes e Lazer, informou que o contrato tem vigência até agosto deste ano e que, “até o momento, a administração não recebeu notificação oficial da instituição sobre a manutenção ou não do convênio, motivo pelo qual não se manifestará a respeito do referido assunto.”

Assim, o time que hoje tem Diego Hypolito e o CT que deveria ser a base da seleção masculina ficarão sem patrocínio.

Na semana passada, quando questionada sobre o patrocínio à CBG, a Caixa já havia informado que estava “acompanhando o resultado das in­vestigações junto às autoridades competentes e tomará as medidas cabíveis previstas em contrato, se for o caso”.

O banco, porém, não respondeu a questionamento sobre a existência de cláusula contratual que trate de denúncias de abuso envolvendo funcionários da confederação.

O projeto se chama “Esporte São Bernardo – Atletismo e Ginástica” e inclui os trabalhos desenvolvidos Arena Caixa de Ginástica e na Arena Caixa de Atletismo, onde foram realizadas as últimas edições do Troféu Brasil e onde treina a equipe do ASA/São Bernardo. As estruturas são vizinhas. É este contrato que não será renovado.

Procurada pela reportagem, a prefeitura de São Bernardo foi mais específica e disse que a ginástica recebe cota de R$ 800 mil por temporada, valor que deve ser utilizado para: “manutenção do ginásio, auxilio a atletas, pagamentos de taxas federativas e viagens, alimentação, publicidade, assessoramento e demais despesas inerentes à modalidade”.

Em quatro anos, até junho, terão sido destinados R$ 3,2 milhões para a modalidade.

Esse valor sai da Caixa e chega à prefeitura de São Bernardo, que descentraliza parte dele para outras instituições. Quando o projeto de ginástica foi criado, em meados de 2014, a entidade que recebia os recursos era a Associação Sãobernardense de Atletismo (ASA).

Naquele momento, a cidade acabava de ganhar a Arena Caixa, um galpão do antigo Clube da Volkswagen, reformado por R$ 1,25 milhão pela Prefeitura de São Bernardo e estruturado com equipamentos comprados pela CBG com dinheiro do Ministério do Esporte.

Injetar recursos na equipe mediana que Fernando de Carvalho Lopes mantinha há quase duas décadas no Mesc, um clube social, foi a forma encontrada para que o CT tivesse utilidade no dia-a-dia e para que São Bernardo ganhasse projeção na ginástica.

Contratados com verba da Caixa

Assim, a antiga equipe do Mesc virou ASA/Mesc, sendo reforçada por Diego Hypolito e Caio Souza, ambos contratados com a verba do patrocínio da Caixa. Então prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT) foi quem apresentou Diego à imprensa.

Em agosto de 2015, porém, a Prefeitura de São Bernardo parou de repassar recursos ao ASA. Não que a equipe tenha sofrido qualquer modificação: treinador, atletas e patrocinador continuaram os mesmos.

A diferença é que o dinheiro passou a ir, por convênio, para outra entidade, a Associação Desportiva e Cultural São Bernardo (ADC São Bernardo), espécie de ONG, ligada à prefeitura, e que é dona, por exemplo, de uma franquia da Superliga Masculina de Vôlei – o time joga com o “nome fantasia” de Corinthians/Guarulhos.

Quando a primeira denúncia de abuso sexual surgiu, em junho de 2016, Fernando era oficialmente funcionário da ADC São Bernardo, que o afastou.

Hoje, a equipe continua treinando na Arena Caixa, mas com outro treinador, Ricardo Yokoyama, contratado depois de longo trabalho na AABB. Além do time masculino, há também um feminino, essencialmente de base.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Bernardo não soube explicar por que houve mudança no destino do repasse da verba da ginástica, da ASA para a ADC. A alegação da administração municipal foi de que a decisão foi tomada pela gestão anterior.

 

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