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Butantan cria vacina contra a covid e pede autorização para testes à Anvisa

Butantan cria vacina contra a covid e pede autorização para testes à Anvisa
Doria disse durante a coletiva que os resultados dos testes pré-clínicos se mostraram “extremamente promissores”. Foto: Divulgação/GESP

O Butantan pedirá autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar ensaios clínicos em humanos de uma possível nova vacina contra a covid-19 em desenvolvimento pelo instituto. O objetivo é ter 40 milhões de doses prontas até o final deste ano.

O imunizante será chamado de Butanvac e foi desenvolvido pelo instituto, que lidera consórcio internacional do qual é o principal produtor – se tudo ocorrer como previsto, 85% da capacidade total de fornecimento da vacina sairá do órgão do governo paulista.

A Butanvac terá o pedido para fase de testes clínicos protocolado nesta tarde junto à Anvisa. Segundo o governador João Doria (PSDB), os resultados dos testes pré-clínicos se mostraram “extremamente promissores” e, caso haja a liberação da reguladora, os testes clínicos poderão começar a partir de abril.

O pedido de autorização se refere às fases 1 e 2 de testes do imunizante, nas quais serão avaliadas segurança e capacidade de promover resposta imune em 1,8 mil voluntários. Na fase 3, etapa que vai estipular a eficácia da nova fórmula, até 9 mil pessoas vão participar.

A Butanvac já passou pelos testes pré-clínicos, nos quais são avaliados em animais efeitos positivos e toxicidade. O imunizante também será testado nos dois outros países participantes do consórcio, Vietnã e Tailândia – neste último, a fase 1 já começou.

Segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, a produção do imunizante independe da importação de insumos e passa por processo similar à da vacina contra a gripe comum, pela inoculação do vírus em ovos. Covas revelou também que os testes em animais mostraram que a vacina demonstrou ser mais imunogênica, ou seja, desenvolveu resposta imune em organismos animais maior do que em comparação a outras concorrentes no mercado.

O instituto planeja produzir 40 milhões de vacinas a partir de maio, assim que for encerrada a campanha de imunização contra a gripe, uma vez que a capacidade de produção do Instituto é de 100 milhões ao ano.

COMO FUNCIONA

O imunizante emprega tecnologia já empregada amplamente pelo Instituto Butantan, que utiliza o vírus inativado de uma gripe aviária, chamada doença de Newcastle, como vetor para transportar ao corpo do paciente a proteína S (de spike, espícula) integral do SARS-CoV-2.

O Butantan é o maior produtor de vacinas do país e já fornece a Coronavac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac. O Instituto conduziu a testagem do imunizante no Brasil e é o responsável pelo envase do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), importado da China. O desenvolvimento da Butanvac em nada altera o cronograma de vacinação da Coronavac.

Diferentemente da Coronavac ou da vacina de Oxford/AstraZeneca, em que os parceiros nacionais podem produzir limitada capacidade  de doses, agora, o Instituto Butantan é o principal desenvolvedor dentro do consórcio e poderá produzir a maior parte dos imunizantes.

Além da vacina, o órgão já havia pedido à Anvisa a autorização para testar o soro de tratamento contra a covid-19. Na última quarta-feira, Dimas Covas informou que toda a documentação solicitada pela agência havia sido enviada no dia anterior.

Ao lado de Covas na coletiva, Doria estimou que a aprovação deva ocorrer até esta sexta. “O soro contribui, ao lado da vacinação com a vacina do Butantan, para salvar mais vidas”, afirmou.

A pandemia já matou mais de 300 mil brasileiros e a imunização anda a passos lentos no País. Balanço da vacinação aponta que 14,08 milhões de pessoas já receberam a primeira dose. O número representa 6,65% da população brasileira.

um comentário

  1. Após a divulgação do Hospital Mount Sinai de Nova York que desenvolveu a tecnologia o Instituto Butantã admitiu que usou da tecnologia americana para desenvolver a ButanVac, 100% brasileira.

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