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Buscas por desaparecidos seguem na Baixada Santista; número de mortos chega a 32

Quarenta e seis pessoas continuam desaparecidas.
Quarenta e seis pessoas continuam desaparecidas. Foto: Corpo de Bombeiros/PMESP

Pelo quarto dia, os bombeiros trabalham nas buscas por desaparecidos da chuva que deixou um rastro de destruição em Santos, São Vicente e no Guarujá. Quarenta e seis pessoas continuam desaparecidas. Trinta e duas morreram. A informação foi atualizada no começo da tarde desta sexta-feira (6) pela Defesa Civil.

A cidade mais atingida foi o Guarujá, que concentra o maior número de mortes, são 26. Outras 41 pessoas estão desaparecidas. Na cidade, sete morros foram atingidos, sendo dois com maior gravidade: o da Barreira do João Guarda e o da Bela Vista, conhecido como Macaco Molhado.

Em Santos, há quatro mortos e quatro desaparecidos. São Vicente registrou duas mortes e tem um desaparecido. O número atual de desabrigados é de 249 no Guarujá e 185 em Santos.

Após quatro dias de buscas, familiares e amigos de desaparecidos começam a perder a esperança em achar sobreviventes. “Daqui do morro, a gente não sai enquanto não achar o corpo do meu sobrinho. Não tenho mais esperança de encontrá-lo vivo. É um sofrimento atrás do outro, mas queremos o corpo, não importa como esteja”, afirmou a diarista Rose Araújo, de 49 anos, moradora do Morro da Barreira do João Guarda.

Já os amigos Rafael Soares, de 22 anos, e Jefferson Nogueira, ambos de 26 anos, foram os primeiros a chegar nos escombros após o deslizamento que atingiu os barracos do Morro da Barreira. Em meio ao escuro e à lama, eles conseguiram ajudar algumas pessoas a sair com vida do local. “Todos que estão lá soterrados a gente conhece. Já estamos no quarto dia, então não temos mais esperança de que alguém seja encontrado vivo. A nossa maior alegria no meio disso tudo foi ter resgatado um bebê de três meses que estava em um buraco”, disse Soares.

O Corpo de Bombeiros começou a utilizar máquinas para ajudar na retirada dos escombros, na tentativa de encontrar vítimas. Com sol nos últimos dois dias, o trabalho ficou mais fácil, já que a lama está mais seca e o terreno fica mais propício a aguentar o peso do maquinário. Atualmente, segundo informações do Gabinete de Crise montado pela Prefeitura de Guarujá, 177 bombeiros trabalham na parte operacional nos locais atingidos pelos deslizamentos na Baixada Santista. Outros 20 agentes dão apoio.

Reforço Solidário

Na quinta-feira, 5, chegou ao bairro da Vila Edna, onde fica localizado o Morro do Macaco Molhado, a Unidade Móvel da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA Brasil). A carreta, que também foi instalada em Brumadinho após a tragédia do rompimento da barragem. Ela será usada para atender às principais necessidades da população, como preparo de alimentação, lavagem de roupas e também haverá no local apoio psicológico e jurídico.

“Fazemos um pré-cadastro de cada família. Quem deixou o nome num dia, traz as roupas para lavagem e secagem no dia seguinte. Tudo é feito dentro da unidade móvel, inclusive os alimentos que vão nas marmitas que servimos aos voluntários e bombeiros”, explicou a coordenadora da Unidade Móvel, Cristiane Maximiano.

Os voluntários, que são ligados à Igreja Adventista do Sétimo Dia, trabalham diuturnamente para servir, em média, 350 marmitas por dia aos voluntários e bombeiros que trabalham no resgate das vítimas. Além disso, a carreta comporta máquinas de lavar e secadoras, que têm a capacidade de lavar e secar 50kg de roupas por hora.

um comentário

  1. Não podemos admitir uma tragédia dessa como algo normal. Precisamos de uma política pública para evitar que tal fato se repita.

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