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Brasil tenta exorcizar ‘fantasma’ da Alemanha

Brasil tenta exorcizar ‘fantasma’ da Alemanha
Tite orienta os jogadores durante treino da seleção brasileira em Berlim. Foto: Pedro Martins/MoWA Press

A seleção brasileira fará hoje (27) o exorcismo final antes da Copa da Rússia, mas ainda precisa convencer o fantasma do outro lado sobre a importância do ritual. Após passar dias minimizando o peso do amistoso contra a Alemanha, em Berlim, Tite disse que esse será o maior teste psicológico e emocional do selecionado que assumiu em 2016, antes do Mundial, que começa em junho.

“O 7 a 1 é real. A gente carrega esse fantasminha to­do dia”, admitiu o treinador. Será o primeiro embate das duas equipes principais desde a semifinal da Copa de 2014.

Até a única novidade tática do Brasil em relação à vitória por 3 a 0 sobre a Rússia na sexta-feira (23) – a entrada do volante Fernandinho para reforçar a marcação – remete aos fantasmas de 2014.

Naquele ano, também sem um lesionado Neymar, o técnico Luiz Felipe Scolari resolveu deixar a defesa desguarnecida e escalou Bernard para a vaga da estrela do time. Atacante, então com 21 anos, conheceu o oblívio após o desastre.

Na confortável posição de quem venceu o duelo do Mineirão em 2014, o técnico Joachim Löw esnobou a situação. “Foi um bom jogo, mas só um passo rumo à final (contra a Argentina)”, disse.

“Claro que, para o Brasil, é outra coisa. Talvez haja um sentimento de revanche, mas também não dá para voltar no tempo”, afirmou Löw.
Tite disse que o 7 a 1 “te traz um componente que é inegável”. “O sentimento de frustração é normal”, afirmou.

O técnico vai comandar a seleção pela 18ª vez hoje, contra nada menos que 160 jogos de Löw, à frente da Alemanha há quase 12 anos.

Com vitória ou empate, o alemão completará uma série de 23 jogos invictos do selecionado, quebrando recorde mantido de 1978 a 1980.

Löw pode estar só escondendo o jogo, mas a escalação de seu time mostra ao menos bastante confiança. Só dois egressos da semifinal, Boateng e Khedira, deverão jogar hoje.

“Foi um trauma para o Brasil, mas não é grande coisa” para o time hoje, disse o zagueiro Boateng.

A Alemanha não terá algumas de suas estrelas mais experientes, como Özil e Müller, dispensados para descansar após o empate com a Espanha na sexta-feira; e Kroos, que deve ficar no banco.

Do time do 7 a 1, Marcelo, Paulinho, Willian e Fernandinho estavam em campo e jogarão hoje. Fernandinho entrará à frente dos dois zagueiros, para tentar melhorar a marcação e também elevar a qualidade do passe.

Com isso, Philippe Coutinho – que havia entrado contra a Rússia mais centralizado – será deslocado para a ponta com Willian. Douglas Costa, que teve atuação apagada contra os russos, deixa o time.

Renato Augusto seguirá na reserva, confirmando posição que parece estar se cristalizando para a Copa – desde o começo da era Tite, o jogador era parte central do esquema da seleção.

 

ALEMANHA X BRASIL

Ár­bi­tro: Jonas Eriksson (Suécia). Estádio: Olímpico de Berlim (Alemanha), às 15h45. TV: Globo/Sportv.

ALEMANHA

Ter Stegen; Rüdiger, Boateng e Ginter; Kimmich, Gündogan, Khedira (Goretzka) e Plattenhardt; Stindl, Werner e Sané. Técnico: Joachim Löw.

BRASIL

Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Willian e Philippe Coutinho; Gabriel Jesus. Técnico: Tite.

 

Löw afirma que Tite mudou seleção e fez Neymar jogar mais a favor do time

Em concorrida entrevista coletiva em Berlim, na véspera de Alemanha x Brasil, o técnico Joachim Löw demonstrou vasto conhecimento sobre a realidade atual dos brasileiros. Com inúmeras perguntas sobre o 7 a 1, todas de jornalistas brasileiros, Löw falou com elogios a respeito do trabalho de Tite. Em especial, em adequar estrelas à equipe.

“Desde que o novo treinador chegou, têm outra mentalidade. O treinador sempre fala que o que aconteceu contra a Alemanha não poderá mais acontecer no futebol. Tite diz ‘é preciso ter mais disciplina defensiva, todos têm de saber defender’. Individualmente, na frente, são os melhores do mundo, todos sabem o que fazer bem no mano a mano. Neymar e Coutinho trabalham muito defensivamente, estão muito mais estáveis, o que é o trabalho do treinador. É uma pena Neymar não jogar”, disse.

Löw foi perguntado sobre se o Brasil era superior em material humano e inferior no coletivo. O técnico discordou dos dois pontos de vista. “Nos últimos dois ou três anos, o Brasil é a equipe na qual cada um sabe sua posição. Não acho que o Brasil seja melhor individualmente. Temos também jogadores individualmente melhores. O Brasil tem jogadores fenomenais com a posse de bola, mas temos jogadores que sabem jogar”, complementou.

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