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Brasil tem taxa de desemprego recorde de 14,6% no terceiro trimestre, aponta IBGE

Apesar da recuperação da economia no terceiro trimestre, o mercado de trabalho fechou mais 883 mil vagas, ao mesmo tempo em que a flexibilização das medidas de isolamento social para conter a covid-19 incentivou mais pessoas a procurar trabalho. Com isso, a taxa de desemprego subiu para 14,6% no período de julho a setembro, o maior nível desde 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada naquele ano.

Segundo economistas ouvidos pela reportagem, o quadro é ligeiramente melhor na passagem de agosto para setembro, mas o cenário do mercado de trabalho ainda é de “fragilidade”.

Os dados, divulgados on­tem (27) pelo Instituto Bra­si­leiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmaram, como es­pera­do, que a taxa de desemprego aumentou. No trimestre de junho a agosto estava em 14,4% – a Pnad Contínua é divulgada mensalmente, mas sempre se referem a um trimestre mó­vel.

A alta no desemprego já era esperada porque grande parte dos trabalhadores demitidos, fossem formais ou informais, desistiu de procurar ocupação – por causa das medidas de isolamento social, ficaram em casa e evitaram procurar novas vagas. Com a flexibilização gra­dual do isolamento, desde junho, mais trabalhadores voltaram, aos poucos, a procurar trabalho.

Pela metodologia internacional das estatísticas de mercado de trabalho, seguida pelo IBGE, só é considerada desocupada a pessoa que tomou alguma atitude para buscar ativamente um trabalho. Donas de casa dedicadas só aos cuidados do lar e estudantes que optam apenas pelos estudos não são considerados de­­sempregados, por exemplo.

Com o retorno dos traba­lha­dores ao mercado, o total de de­sempregados, de 12,791 milhões no segundo trimestre, saltou 10,2% no terceiro trimestre, para 14,092 milhões. Em um trimestre, há 1,302 mi­lhão de desempregados a mais. O aumento deverá continuar, à medida que mais trabalhadores voltem a procurar vaga com a reabertura da economia.

“Talvez o auxílio emergencial tenha permitido às pessoas se manterem fora da força de trabalho em setembro. Porém, no trimestre móvel até outubr­o, que captura mais ao menos a perspectiva de redução da parcela (de R$ 600 para R$ 300), o retorno deve ser maior e o de­semprego deve subir com mais força”, disse João Leal, eco­no­mis­ta da Rio Bravo Investimentos.

Ao garantir renda mínima para os trabalhadores informais, o auxílio emergencial permitiu, pelo menos parcialmente, que fizessem o isolamento social, deixando de sair e de trabalhar nas ruas. Um trabalhador com carteira assinada que teve seu salário reduzido, trabalhou em home office ou teve a jornada reduzida continuou considerado empregado pelo IBGE. O traba­lhador informal que ficou em casa deixou a força de trabalho.

Dada essa particularidade, o estrago da pandemia no mercado de trabalho é mais bem captado na taxa composta de subutilização da força de traba­lho, espécie de taxa ampliada de desemprego, que considera também os trabalhadores que não procuraram vaga, mas gostariam de trabalhar, e aqueles que trabalham menos horas do que gostariam. No terceiro trimestre, esse indicador ficou em 30,3%, muito próximo dos 30,6% do trimestre móvel terminado em agosto, se mantendo em níveis recordes.

Na prática, são 33,179 mi­lhões de brasileiros sem tra­balho, contingente equivalente à população de Angola.

A migração de trabalhado­res da situação em que gosta­riam de trabalhar, mas não es­tão procurando vaga, para o desemprego, à medida que co­mecem a sair de casa atrás de vaga, não mudará o indicador como um todo. Por isso, os economistas dizem que o desemprego já existe, na prática. O crescimento da taxa nos próximos meses se dará apenas por uma questão me­todológica.

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