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Brasil chega a 600 mil mortos pela covid-19

Conforme balanço da Fiocruz, entre 12 e 25 de setembro o total de hospitalizados no País caiu 27,7%. Foto: Pixabay
Conforme balanço da Fiocruz, entre 12 e 25 de setembro o total de hospitalizados no País caiu 27,7%. Foto: Pixabay

Atualizado às 22h40

O Brasil atingiu nesta sexta-feira (8) a marca de 600 mil mortos pela covid-19 – mais gente do que as país, como Florianópolis e Vitória. Com o avanço da vacinação e a queda de infectados, cresce nos hospitais e nas ruas a sensação de que o pior foi superado. Especialistas, porém, destacam que a crise sanitária pode ter reviravoltas e seus efeitos são duradouros. Além do risco de novas variantes, o patamar de vítimas ainda é alto (perto de 500 por dia) e há demanda por doses de reforço e cuidado com as sequelas do vírus. Para quem sofreu na pele, a luta é para seguir em frente, mas fazer com que a tragédia não seja esquecida.

O balanço mais recente, divulgado na tarde desta sexta-feira, contabiliza 600.077 vítimas, segundo o consórcio de veículos de imprensa. Conforme balanço da Fiocruz, entre 12 e 25 de setembro o total de hospitalizados no país caiu 27,7% e o de óbitos, 42,6%. Em 25 estados, a taxa de ocupação de leitos de UTI covid é inferior a 60% – exceto Distrito Federal e Espírito Santo.

Em relatório do Observatório da Covid-19, da Fiocruz, o fim da crise sanitária é previsto para os primeiros meses de 2022. “Porém, o fim da pandemia não representará o fim da ‘convivência’ com a covid-19, que deverá se manter como doença endêmica e passível de surtos mais localizados”, diz o texto.

VACINA

Apesar da demora do go­verno federal na compra de vacinas e de o próprio presidente Jair Bolsonaro colocar em dúvida a eficácia dos produtos, a adesão aos imunizantes é alta. Diferentemente dos EUA, onde a hesitação resultou em uma nova escalada de óbitos, 69,7% dos adultos já tomaram ao menos uma dose, ante 64% entre os americanos. “A vacinação já está incutida no caráter cultural da sociedade, isso nem as fake news conseguiram destruir”, avaliou o médico José Cherem, da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

As falhas da gestão Bolsonaro no combate à pandemia têm sido alvo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado. Fora do Congresso, também há busca por responsabilização. “Meu luto foi luta desde o início”, afirmou Paola Falceta, à frente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Co­vid-19. A entidade apoia parentes de mortos pelo coronavírus nos pedidos trabalhistas e previdenciários, além de pleitear indenização do poder público.

Para médico sanitarista e professor da USP Gonzalo Vecina, as mortes que ocorreram a partir de abril eram evitáveis. Para os especialistas, a falta de coordenação nacional também será um obstáculo nos próximos capítulos da pandemia. “Se falar de 3.ª dose, não há vacina suficiente. Não tenho visto o governo falar sobre comprar mais doses”, destacou.

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