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Bovespa cai 7,6% após segunda suspensão de negócios na semana

Bovespa cai 7,6% após segunda suspensão de negócios na semana
Bovespa teve raro segundo dia de circuit breaker numa só semana, o que não ocorria desde 2008. Foto: Cris Faga/Estadão Conteúdo

Em novo dia de pânico no mercado financeiro brasileiro e mundial, a combinação entre pandemia do coronavírus – enfim reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – e ausência de iniciativas fiscais anticíclicas nos Estados Unidos colocou mais uma vez os ativos, no Brasil e em Nova York, em es­piral negativa ontem (11).

O dia já começou tenso, com os investidores frustrados pela falta de detalhes de medidas fiscais da Casa Branca para fazer face aos efeitos do coronavírus. O estresse piorou após a OMS passar a classificar o surto como pandemia.

A Bolsa acionou ontem o mecanismo de circuit breaker pela segunda vez esta semana e paralisou os negócios pouco depois das 15h. É a primeira vez desde a crise mundial de outubro de 2008 que as ope­rações são paralisadas duas ve­­zes em uma mesma semana.

O dólar chegou a bater em R$ 4,76 na tarde de ontem, mas desacelerou um pouco o ritmo de ganhos perto do fechamento, com a atração de vendedores ao mercado, e fechou em R$ 4,7226, alta de 1,62%. A valorização da moeda americana ante o real em 2020 está em 17,72%.

Depois do anúncio da OMS, a Bolsa brasileira chegou a cair 12%, mas conseguiu reduzir as perdas no fim do dia e terminou com desvalorização de 7,64%, em 85.171 pontos. No ano, a B3 acumula perdas de 26,35%, o que significa R$ 1,03 trilhão, segundo a Economática. Só a Petrobrás perdeu quase R$ 200 bilhões.

As Bolsas de Nova York também intensificaram as perdas na tarde de ontem e o Dow Jones entrou no cha­mado bear market (mercado de urso), quando os índices caem mais de 20% em comparação à máxima histórica.

Na segunda-feira, o Ibovespa havia registrado queda de 12,17%, para subir 7,14% no dia seguinte, antes do mergulho de ontem. O movimento reflete a acentuada volatilidade que tem prevalecido no período posterior ao Carnaval e que se acentuou nas últimas sessões.

“O petróleo tem muito peso no nosso mix e isso ajuda a entender a ampliação das variações observadas no Ibovespa desde a decisão da Arábia Saudita, anunciada no fim de semana, de ampliar a produção da commodity”, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Ontem, Petrobras PN fe­chou em baixa de 9,74% e a ON, de 10,84%. Outra gigante das commodities, Vale fechou em baixa de 9,08%. Duas das ações mais pressionadas pelo coronavírus, devido à escala­da do dólar e ao efeito direto sobre as viagens, Azul cedeu 16,39% e Gol recuou 14,57%.

“Há muitos investidores novos na Bolsa, vivendo a primeira crise de confiança. Nem se­ria educado falar em irracio­na­lidade, tendo em vista os riscos tangíveis no momento em que a atividade econômica é colocada em dúvida, com sucessivas revisões para baixo das projeções”, disse Ilan Arbetma­n, da Ativa Investimentos.

“Não há definição do que o governo dos EUA fará. Aqui não há agenda que não seja a das reformas”, disse Luiz Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. A esperança dos investidores agora é de que os governos lancem mão de políticas fiscais para lidar com a crise gerada pelo coronavírus.

 

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