Brasil, Editorias, Notícias

Bombeiros confirmam terceira morte no desabamento em Fortaleza

Bombeiros confirmam terceira morte no desabamento em Fortaleza
Foto: Kleber Gonçalves/Futura Press/Futura Press/Estadão Conteúdo

Um dia após o desabamento do Edifício Andréa, em um bairro nobre de Fortaleza, parentes de desaparecidos viviam com apreensão a busca por parentes sob os escombros. Já os resgatados relatavam momentos de horror desde a queda do prédio. Nesta quarta-feira, 16, o Corpo de Bombeiros do Ceará confirmou três mortos na tragédia. Outras sete pessoas continuavam desaparecidas. Sete foram resgatados com vida no dia do desabamento, mas não houve localização de feridos até as 21 horas.

“Após o acidente, meu pai apagou, mas não sabe por quanto tempo. Quando ele acordou, viu um rapaz pedindo ajuda e se engasgando com o próprio sangue”, contou Nazareno Gomes, filho de Gilson Gomes, de 53 anos, resgatado anteontem dos escombros do prédio. “Ele pediu ao rapaz para ter calma, que pediria ajuda. Eu falei com meu pai ontem e ele me disse: ‘Meu filho, eu vi uma pessoa morrer na minha frente e eu não quero isso para ninguém’”.

O jovem de quem Gilson falava é Frederick Santana dos Santos, a primeira vítima localizada pelos bombeiros. O vendedor, de 30 anos, estava em um mercado vizinho.

Na manhã de terça, mais um corpo foi encontrado. Segundo os bombeiros, a vítima é uma mulher e o local onde está o corpo é de difícil acesso. A corporação informou que não poderia usar máquinas pesadas e, por isso, não conseguia resgatar o corpo, soterrado sob lajes.

Mais tarde, os bombeiros localizaram e retiraram dos escombros o corpo de Izaura Marques Menezes, de 81 anos, a terceira vítima da tragédia. Amiga de Izaura, a professora Ana Célia, de 64 anos, disse que a idosa era ativa e participava de um clube de leitura. “Izaura era uma pessoa muito dinâmica e ativa. Era ela quem realizava as reuniões e dinâmicas do grupo. Ela tinha a gente como uma família”, contou Ana Célia.

Izaura morava em um apartamento no quinto andar com o marido, Vicente Menezes, de 86 anos. Além deles, a filha Rosane Menezes, de 55, estava no prédio. Rosane e Vicente continuam desaparecidos. O corretor de imóveis Rômulo Marques, de 54 anos, sobrinho de Vicente, acompanhava os trabalhos de resgate ontem. “Esperança, esperança, esperança”, repetia. “Eles não respondem a estímulos da equipe de resgate, mas seguimos com esperança. Enquanto tivermos possibilidade de encontrar, vamos seguir”, disse Marques, que estava com 14 parentes no local. Todos passaram a madrugada rezando. As buscas devem continuar pelos próximos cinco dias.

Feridos

Entre os parentes de resgatados com vida, o clima era de alívio. Davi Sampaio Martins, de 22 anos, até fez uma selfie nos escombros para tranquilizar a família. “O desabamento foi logo depois que meus pais saíram pra trabalhar. O Davi conta que desmaiou, já acordou nos escombros. Ele estava calmo, não demorou para a gente conseguir falar com ele, mas a nossa mãe estava muito nervosa e ele resolveu fazer a selfie para ela acreditar que ele estava bem”, disse o irmão, o técnico de enfermagem Rômulo Sampaio Martins, de 29 anos. Da foto até o resgate foram cinco horas de angústia. O jovem continuava internado ontem, mas tinha o quadro estável.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*