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Bolsonaro, mesmo ausente, é atacado em último debate

Bolsonaro, mesmo ausente, é atacado em último debate
Meirelles, Dias, Ciro, Boulos, Alckmin, Marina e Haddad, durante debate na TV Globo. Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress

A três dias da eleição, com a liderança de Jair Bolsonaro (PSL) consolidada nas pesquisas, o último debate da corrida presidencial, na TV Globo, nesta quinta-feira (4), foi permeado pelo antipetismo. Segundo colocado nas pesquisas, o candidato Fernando Haddad (PT) foi objeto de críticas de adversários à direita e também daqueles que disputam o mesmo eleitorado que o petista.

Bolsonaro foi atacado por sua ausência, mas sobretudo por sua candidatura, entendida por oponentes como um risco de instabilidade democrática ao país. Marina Silva (Rede) foi aplaudida ao dizer que o capitão reformado “mais uma vez amarelou”.

Henrique Meirelles (MDB) afirmou que, “se alguém se esconde e só vai dar entrevista em situação de absoluto controle, amigável, significa, na minha visão, que não tem condições de administrar o país”.

Em uma dobradinha, Gui­lherme Boulos (PSOL) e Haddad disseram que eventual eleição de Bolsonaro pode levar o país de volta a uma ditadura autoritária. “Não dá para fingir que está tudo bem. Faz 30 anos que saímos de uma ditadura. Muita gente morreu, muita gente foi torturada, até hoje tem mãe que não conseguiu enterrar seu filho”, afirmou Boulos. Haddad concordou com “os riscos que estamos correndo”.

Em outro momento, diri­gindo-se ao petista, Marina citou a alta rejeição dos dois líderes – 45% de Bolsonaro e 40% do petista, segundo o Datafolha. “O Brasil está à beira de ir para um esgarçamento sem falta”, afirmou.

Haddad rechaçou a comparação. Marina afirmou ser lamentável a incapacidade, se­gundo ela, de Haddad reco­nhecer erros, “como se pedir desculpas fosse um problema. Não é. A gente tem que pensar em projeto de um país, não em projeto de poder”, disse.

Estagnado em terceiro lugar, em empate técnico com Ciro Gomes (PDT), o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) antagonizou com o PT. “Vemos no Brasil o resultado de um grande equívoco de natureza econômica. O PT gastou mais do que arrecadava. Não acredito que o PT nem o Bolsonaro vão tirar o país da crise”, disse o candidato tucano.

SEGUNDO TURNO

Alvaro Dias (Podemos) foi o único que procurou preservar Bolsonaro, alimentando rumores de que estaria disposto a apoiá-lo em eventual segundo turno. Dias preferiu concentrar ataques ao PT, associando-o à corrupção. Mostrou um envelope dizendo que pediria a Haddad que levasse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso em Curitiba, mas que, segundo ele, é quem dá as cartas na candidatura petista.

O petista foi para o enfrentamento. “Você deveria ter mais compostura”, reagiu. Citando programas dos governos petistas como Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos e Prouni, disse que o que o adversário pudesse imaginar “foi feito nos governos nossos com os resultados sociais conhecidos”. “Vamos retomar muita coisa que vocês estão destruindo.”

Ciro afirmou que a polarização no país é fruto do “choque entre duas personalidades exuberantes, o lulismo e o antilulismo, que o Bolsonaro representa”. Em outro momento, o pedetista voltou a combater “a radicalização estúpida que o Bolsonaro re­presenta”.

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