Editorias, Notícias, Política

Bolsonaro indica demissão do ministro da Educação

Bolsonaro indica demissão do ministro da Educação
Bolsonaro: “a situação da educação será resolvida na segunda”. Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro sinalizou nesta sexta-feira (5), que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, deixará o cargo na segunda-feira. Com menos de 100 dias à frente da pasta, o ministro enfrenta uma série de problemas e foi obrigado pelo Planalto a demitir 18 pessoas, dentre as quais três secretários executivos, o equiva­lente a seu sub. A crise provocou paralisia no ministério e pre­judica o andamento dos principais programas da pasta.

“Está bem claro que não está dando certo. É uma pessoa bacana, honesta, mas está faltando gestão, que é uma coisa importantíssima. Vamos tirar a aliança da mão direita e pôr na mão esquerda ou na gaveta”, afirmou Bolsonaro, em café da manhã que reuniu diretores de jornais e repórteres de TV, no Palácio do Planalto.

A crise afetou programas do MEC. O Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio está paralisado. Além disso, o cronograma do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estão comprometidos. A crise na pasta se arrasta desde meados de fevereiro. A troca do ministro vem sendo cogitada dentro do governo há pelo menos três semanas. A substituição esbarra na dificuldade de se encontrar um nome de consenso.

Bolsonaro admitiu que Vélez poderá ser reaproveitado em outra pasta, mas disse não ter definido onde. “Quem decide sou eu. Segunda é o dia do fico ou não fico. A situação da Educação será resolvida”, afirmou. Questionado sobre a influência do escritor Olavo de Carvalho no governo – e, especialmente, no MEC -, Bolsonaro disse que isso não existe. “Tem pouca gente do Olavo na Educação”, destacou.

Mais tarde, em outro evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro minimizou. “Não está decidido ainda, tudo pode acontecer”, afirmou.

A crise no Ministério da Educação é mais um episódio da guerra entre “olavistas” e militares dentro do governo que o presidente nega existir. Guru ideológico da família Bolsonaro, Olavo de Carvalho indicou Vélez para o cargo. Nesta sexta, porém, o escritor rifou o colombiano, por meio de uma publicação na rede social Facebook. Chamou Vélez de “traiçoeiro”. “Garanto que não vou lamentar se o botarem para fora do ministério”, escreveu Olavo.

A situação de Vélez mostra aspecto errático da personalidade de Bolsonaro na hora de demitir aliados. Assim como fez com Gustavo Bebianno, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, o presidente deixou Vélez “fritar” em praça pública. Alvo de críticas do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), Bebianno ficou dias no “limbo”, sem ser recebido pelo presidente. A exemplo de Bebianno, Vélez Rodríguez não foi informado sobre sua possível demissão.

Print Friendly, PDF & Email

Deixe eu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*