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Bolsonaro defende generais em ministérios e diz que presidentes anteriores nomearam terroristas

Bolsonaro defende generais em ministérios e diz que presidentes anteriores nomearam terroristas
Um presidente é como um técnico. Não vai jogar bola, não vai entrar em campo. Foto: Agência Pública/Reprodução

A empresários que o aplaudiram dez vezes durante discurso nesta quarta-feira (4), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) defendeu a escalação de militares para ocupar alguns dos 15 ministérios que pretende ter em um eventual governo dele, já que, afirmou ele, presidentes anteriores nomearam terroristas e corruptos.

“Vou botar alguns generais nos ministérios caso eu chegue lá [à Presidência da República]. Qual o problema? Os [presidentes] anteriores botavam terroristas e corruptos e ninguém falava nada”, disse Bolsonaro em evento promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) com pré-candidatos ao Planalto.

“Quando falam da Dilma, ela botou terrorista. É o meio dela”, disse depois, em entrevista coletiva, onde antecipou que pretende colocar militares em pastas como Defesa, Transportes e Ciência e Tecnologia.
Indagado especificamente sobre o Ministério da Educação, respondeu que “tanto faz ser civil ou militar”.

Já no início de sua fala aos empresários, o deputado justificou sua falta de conhecimento em economia, fez a primeira das críticas à imprensa e culpou economistas pela crise atual vivida no país.

“Quando falei que não entendia de economia, entendi que a grande mídia fosse levar para o lado da humildade. Será que temos que entender de tudo para se apresentar a um cargo tão importante como este [presidente]? Quem botou o Brasil nesta situação, se não foram os economistas? Um presidente é como um técnico. Não vai jogar bola, não vai entrar em campo. Precisa ter discernimento, humildade, força para buscar solução para os problemas”, afirmou.

Em diversos momentos, disse frases como “não quero falar aquilo que não domino com grande propriedade”, “tenho muito mais a aprender do que ensinar” ou afirmou que quem deveria responder algumas questões era o economista Paulo Guedes, que presta consultoria econômica em sua pré-campanha.
Ressaltando que “ninguém quer o mal do meio ambiente”, propôs fundir os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e disse que o país está “inviabilizado” por questões ambientais, indígenas e quilombolas.
Também criticou aquilo que chamou de “fosso ideológico” e afirmou que “mais ou tão grave que a corrupção é a questão ideológica”.

As críticas do presidenciável chegaram ainda ao STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo Bolsonaro, o país ficará “ingovernável” com “este Supremo”. “A gente precisa de um presidente que evite que o nosso Supremo Tribunal Federal continue legislando, bem como o Conselho Nacional de Justiça legisla também”, afirmou Bolsonaro.
O pré-candidato falou brevemente sobre a Lava Jato. Em tom de brincadeira, disse querer encontrar o juiz federal Sergio Moro “em qualquer lugar do Brasil, menos em Curitiba”. Também citou o empresário Léo Pinheiro, da OAS, questionando se o delator não foi chantageado pelos investigadores.
Em um discurso superficial que agradou a plateia, Bolsonaro fez afirmações como “jamais quero ser patrão no Brasil com esta legislação”, “temos que valorizar os senhores porque sem patrão não há empregado” e “os senhores são os nossos patrões”.

Na área política, agradou a plateia ao dizer, sem especificar, que não conversaria com “três, quatro partidos” e que não colocaria “um busto do Che Guevara no Planalto”. Afirmou que, eleito, irá fazer negociações individuais.

Aos jornalistas, afirmou que “se ficarem obcecados em me destruir, não vão conseguir” e criticou o que classificou como uma tradição do Brasil: “eleger presidentes corruptos, de esquerda e inimigos dos americanos”.
Ele ainda defendeu a política de imigração do presidente dos EUA, Donald Trump.

“Entra qualquer um na casa de vocês? Não. Por que no país dos outros pode entrar qualquer um?”, indagou.

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