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Bolsonaro: ‘Brasil deixará Mercosul caso a Argentina crie problema’

Bolsonaro: ‘Brasil deixará Mercosul caso a Argentina crie problema’
Bolsonaro: “acordo com a União Europeia poderá fazer água”. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta sexta-feira (16) que se o candidato da oposição às eleições argentinas Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner na chapa, vencer o pleito e decidir por rever o Mercosul, o acordo com a União Europeia poderá “fazer água”.

Bolsonaro concordou com a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que caso o candidato da oposição, Alberto Fernández, vença as eleições presidenciais na Argentina e apresente resistência à abertura econômica do Mercosul, o Brasil deixará o bloco. Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, recebeu 47% dos votos nas primárias realizadas no último domingo (11).

O atual presidente, Mauricio Macri, ficou com 32%. “O atual candidato que está à frente na Argentina, já esteve vistando o (ex-presidente) Lula; já falou que é uma injustiça ele estar preso; já falou que quer rever o Mercosul. Então, o Paulo Guedes, perfeitamente afinado comigo, falou que se criar problema, o Brasil sai do Mercosul, e está avalizado”, disse o presidente ao deixar o Alvorada ontem pela manhã.

Bolsonaro afirmou que está disposto a conversar com Fernández, mas que o argentino “vai ter de dar o sinal”. “Por causa do viés ideológico, o meu sentimento (antes de ser eleito) é que tinha que acabar com o Mercosul. Lógico, chegamos, afastamos o viés ideológico, o contato foi excelente com Macri, excelente com o Marito (presidente do Paraguai, Mario Benitez). O do Uruguai (Tabaré Vázquez), apesar de ser um pouco da esquerda, deu pra conversar”, disse o presidente.

ESQUERDA

Bolsonaro, entretanto, espera a reeleição de Maurício Macri. “Olha a Argentina aqui, o que aconteceu com a bolsa, com o dólar, com as taxas de juros. O mercado deu sinal que não vai perdoar a esquerda na Argentina novamente. Os empresários não vão investir mais enquanto não resolver a situação política lá”, disse.

O mercado financeiro da região atravessa momentos de volatilidade, após a vitória de Fernández nas eleições primárias. No dia seguinte à votação, o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, caiu 37,93%, na maior queda diária no mercado de ações na história do país, e o dólar chegou a superar a barreira de 60 pesos argentinos, mas fechou em 52,14 pesos. A moeda do país vi­zinho desvalorizou-se 14,99% somente na segunda-feira (12). Para conter a saída de capitais, o Banco Central da Argentina aumentou os juros básicos para 74% ao ano.

Maurício Macri também lançou plano para conter a crise e entre as medidas estão o pagamento de bônus sala­riais para todos os tipos de trabalhadores, o congelamento do preço da gasolina por 90 dias, e o aumento do salário mínimo.

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