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Bolsas globais têm queda com temor sobre nova variante do coronavírus

No Brasil, Ibovespa terminou pregão em queda de 3,39% e dólar teve alta de 0,55%, para R$ 5,596. Foto: Divulgação
No Brasil, Ibovespa terminou pregão em queda de 3,39% e dólar teve alta de 0,55%, para R$ 5,596. Foto: Divulgação

Para os analistas, a descoberta de nova variante do co­ronavírus adiciona mais um ele­mento de preocupação ao cenário já desafiador para a recuperação da economia global. Nas últimas semanas, o aumento do número de casos de covid-19 na Europa fez com que alguns países retomassem restrições à circulação

A notícia sobre uma nova variante da covid-19 potencialmente perigosa localizada na África do Sul provocou ontem (26) onda negativa nos mercados acionários globais. Na Ásia, Europa e nos Estados Unidos, os principais índices de ações fecharam em queda.

O temor também atingiu o mercado brasileiro. Na B3, a Bolsa de São Paulo, o Ibovespa fechou em queda de 3,39%, aos 102.224,26 pontos, com recuo generalizado na carteira de ações – mais cedo, o índice atingiu a casa dos 101 mil pontos. As perdas foram maiores nas ações ligadas ao consumo e ao turismo, principalmente de empresas aéreas, em meio a temores de que novas medidas restritivas mais hostis sejam necessárias para conter o novo coronavírus, o que comprome­teria a retomada econômica.

O dólar à vista encerrou cotado a R$ 5,5958, em alta de 0,55%. Apesar do soluço registrado ontem, a moeda americana termina a semana em baixa de 0,23% e acumula perda de 0,89% em novembro, após ter subido 3,67% em ou­tubro e 5,30% em setembro.

Nos Estados Unidos, o dia também foi de perdas. Dow Jones fechou em baixa de 2,53%, S&P 500 caiu 2,3% e Nasdaq, 2,23%. Segundo o Wall Street Journal, foi o pior dia para as Bolsas americanas este ano. A Casa Branca anunciou que os EUA vão restringir viagens da África do Sul e outras sete nações africanas a partir de segunda-feira. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez essa recomendação à Casa Civil da Presidência da República.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) faria uma re­u­nião ontem para avaliar a no­va cepa, que apresenta elevado número de mutações, o que pode resultar em uma versão mais transmissível e, potencialmente, com mais risco de contornar a resposta imune gerada por infecções anteriores ou pela vacinação. A cepa já foi localizada também em Hong Kong, Israel e Bélgica.

Para os analistas, a descoberta de nova variante do co­ronavírus adiciona mais um ele­mento de preocupação ao cenário já desafiador para a recuperação da economia global. Nas últimas semanas, o aumento do número de casos de covid-19 na Europa fez com que alguns países retomassem restrições à circulação de pessoas, um novo baque para a economia em um momento em que já se começava a imaginar a retomada mais consistente das atividades normais, com o avanço da vacinação.

Na avaliação do banco Cre­dit Suis­se, a preocupação do mercado com a nova variante do coronaví­rus parece compreensível, dado seu forte po­ten­cial de contaminação. Segundo o ban­co, as leituras de hospitaliza­ção e mortes ainda são pouco conclusivas, mas lem­bra que a vacinação na Áfri­ca do Sul (origem da variante) é muito bai­xa e que o país não teve for­te onda da variante Delta.

A consultoria Capital Economics diz que ainda é cedo para saber ao certo quão gran­de é a ameaça da nova cepa para a economia global. A consultoria projeta que mesmo as restrições já sendo lançadas por outras nações não devem impedir a disseminação do vírus, “particularmen­te se (a cepa) for tão contagiosa como atualmente temido”.

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