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BNDES reduziu ‘nota de risco’ por propina para PT, diz Palocci

BNDES reduziu ‘nota de risco’ por propina para PT, diz Palocci
Palocci prestou depoimento na CPI do BNDES. Foto: Arquivo

O ex-ministro Antonio Pa­locci afirmou, em depoimento na terça-feira (2) à CPI do BNDES, que a chamada “nota de risco” atribuída pelo banco para Angola foi rebaixada por “uma decisão política”, o que possibilitou aumento do volume de empréstimos concedidos à Odebrecht para obras naquele país. Quanto maior é essa nota, maior a probabilidade de calote no pagamento do empréstimo. Ainda segundo Palocci, parte desses recursos voltaria depois na forma de propina para o PT.

O ex-ministro, que cumpre prisão domiciliar, também afirmou que tratava de assuntos relativos ao BNDES diretamente com o ex-presidente da instituição Luciano Coutinho. O depoimento de Palocci à comissão foi feito a portas fechadas e envelopadas para evitar que o ex-ministro fosse filmado e fotografado. Assessores e a imprensa não tiveram acesso à comissão. As declarações foram confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo com dois deputados presentes.

É a primeira vez que Palocci fala na comissão instalada para investigar suspeita de uso do banco de fomento para alimentar o esquema de corrupção durante governos do PT. Palocci falou por quase cinco horas e concentrou toda a sua narrativa no caso envolvendo Angola. A delimitação do assunto foi acertada com membros da CPI por causa de acordos de colaboração que o petista negocia com a Procuradoria-Geral da República.

Procurado, Coutinho – que presidiu o banco de 2007 a 2016 – não quis comentar as declarações do ex-ministro Em nota, o BNDES disse que não “teve acesso” ao depoimento, mas afirmou que “as operações para Angola contaram com cobertura da União por meio do seguro de crédito com lastro no FGE e tiveram seus riscos avaliados, precificados e aprovados pelo Cofig e pela Camex, não cabendo ao BNDES estas atribuições nas operações garantidas pelo SCE”.

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