Economia, Notícias

BC inicia ciclo de redução de juros e corta Selic para 14%

Após quatro anos de jejum, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu ontem (19) a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano, dando início a novo ciclo de redução da taxa básica de juros. A decisão foi unânime.

Foi o primeiro corte desde outubro de 2012, quando a Selic chegou ao piso histórico de 7,25% ao ano, durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

Sinais de desaceleração da inflação, dúvidas sobre a recuperação da economia e o avanço no Congresso da proposta do governo que limita os gastos públicos, fatores citados no comunicado do BC, já faziam o mercado apostar em peso na redução da Selic.

A dúvida era sobre o tamanho do corte. Os analistas estavam divididos entre os que acreditavam em redução de 0,5 ponto porcentual e os que colocavam as fichas no corte de 0,25 ponto.

A divisão persiste para a próxima reunião, em novembro. Analistas interpretaram de forma distinta o comunicado do BC sobre a decisão. O texto afirma que o comportamento da inflação previsto para o próximo ano e para 2018 permite “flexibilização moderada e gradual das condições monetárias”.

“O tamanho do corte abre espaço para outro ainda maior na próxima reunião, com possibilidade de diminuição de 0,5 ponto porcentual, chegando à taxa de 13,50% ao ano no final de 2016”, afirmou a economista Tatiana Pinheiro, do banco Santander. “Com a continuidade dos cortes, é possível que, no encerramento de 2017, a Selic chegue a um dígito”, completou.

Para José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, o comunicado aponta para outro corte de 0,25 ponto em novembro. “O BC citou, em dois momentos, que no cenário dos analistas de mercado a taxa de inflação para 2017 e 2018 ainda está acima da meta. Assim, sinalizou que a curva do mercado, que acredita em 0,5 ponto porcentual, está exagerada”, disse.

Além disso, afirmou, há o fato de o Banco Central ter destacado a importância para a política monetária de maior queda do preço de serviços, o que para Camargo não deve acontecer até o fim do ano.

“Hoje, a inflação de serviços em 12 meses está perto de 7%. Está desinflacionando, mas essa redução está lenta e vai continuar assim por causa do final do ano, quando a economia se aquece”, afirmou.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*