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BC eleva Selic pela sexta vez seguida, e taxa básica de juros vai a 7,75%

BC eleva Selic pela sexta vez seguida, e taxa básica de juros vai a 7,75%
BC sinalizou que deve fazer um novo ajuste de mesma magnitude na próxima reunião, em dezembro. Foto: Arquivo

Pressionado pela escalada incessante da inflação e pela manobra do governo para alterar a regra do teto de gastos, rompendo assim a âncora fiscal do país, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acelerou novamente o ritmo de elevação da Selic (a taxa básica de juros) nesta quarta-feira (27), com alta de 1,50 ponto porcentual (p.p.), de 6,25% para 7,75% ao ano.

A última vez que o Copom tinha aumentado a Selic em mais de 1 ponto porcentual foi em dezembro de 2002, quando a taxa passou de 22,00% para 25,00%.

O movimento desta quarta-feira foi o sexto aumento consecutivo nos juros básicos, após o BC cortar a taxa básica à mínima histórica (2,0%) em meio à pandemia de covid-19. Nas cinco reuniões anteriores, o BC havia subido a taxa em 0,75 p.p. em três ocasiões e em 1 p.p. nos encontros de agosto e setembro.

Com a decisão desta quarta, a Selic está no maior patamar desde outubro de 2017. Naquela oportunidade, o BC promovia um ciclo de afrouxamento após a taxa alcançar 14,25% em meio à crise de 2015 e 2016.

É, portanto, o maior nível dos juros básicos da economia do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Quando o presidente chegou ao poder, a taxa Selic estava em 6,50%.

A decisão era esperada pela maior parte do mercado financeiro. Após a manobra anunciada pelo governo no teto de gastos para bancar o aumento do Bolsa Família – agora Auxílio Brasil – e a surpresa de alta no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de outubro, 32 de 38 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast apostavam em aumento de 1,5 p.p. na taxa Selic, para 7,75%.

Duas esperavam alta de 1,75 ponto, para 8,0%, e outras duas previam avanço de 1,25 ponto, a 7,50%. Havia ainda uma casa que acreditava que a Selic subiria a 8,25% e outra que esperava aumento de 3,0 pontos porcentuais, a 9,25%.

Com o último movimento de aperto monetário, o Brasil voltou a ter a maior taxa de juros real (descontada a inflação) do mundo, considerando as 40 economias mais relevantes. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em +5,96% ao ano. Na segunda e terceira posições, aparecem a Rússia (4,77%) e a Turquia (3,46%). A média dos 40 países considerados é de -0,96%.

PRÓXIMA REUNIÃO

O Copom sinalizou que deve fazer um novo ajuste de mesma magnitude na próxima reunião, em dezembro. Com isso, a taxa básica de juros encerraria o ano em 9,25% ao ano.

“O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, repetiu o BC.

Após subir a Selic em 1,00 p.p. na reunião de setembro, o Copom também havia sinalizado a intenção de manter o “plano de voo” com novo ajuste de 1,00 ponto em outubro. De lá para cá, porém, o cenário mudou, com a alta persistente da inflação e a manobra do governo na semana passada para alterar a regra do teto de gastos, comprometendo a âncora fiscal.

No comunicado desta quarta-feira, o colegiado foi enfático ao reconhecer que essa alteração nos rumos fiscais pesou na decisão de apertar o passo na alta da Selic, apesar do desempenho mais positivo das contas públicas nos últimos meses.

“O Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, destacou o Copom.

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