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BB aprova reestruturação que prevê desligamento de 5 mil funcionários

BB aprova reestruturação que prevê desligamento de 5 mil funcionários
Com o plano, a expectativa do BB é economizar R$ 353 milhões em 2021. Foto: Divulgação

O Banco do Brasil informou nesta segunda-feira (11) ao mercado que aprovou plano de reorganização para ganhos de eficiência operacional que prevê, entre outras medidas, o fechamento de 112 agências e programa de desligamento, com expectativa de adesão de 5 mil funcionários. O banco estima que a implementação plena das medidas deve ocorrer durante o primeiro semestre deste ano.

A reestruturação, já esperada pelo mercado, foi vista por analistas como um grande esforço da instituição para atacar seu maior gargalo em relação aos seus pares, a ineficiência, e avançar no processo de digitalização. Contudo, para alguns deles, o movimento veio com atraso em relação a seus principais concorrentes.

O plano de reorganização prevê ganhos de eficiência em 870 pontos de atendimento do país, com a desativação de 361 unidades (112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento), a conversão de 243 agências em postos de atendimento e oito postos em agências, transformação de 145 unidades de negócio em Lojas BB, sem guichês de caixa, relocalização compartilhada de 85 unidades de negócio e criação de 28 unidades de negócio (14 agências especializadas agro e 14 escritórios leve digital). Com esses movimentos, a expectativa do BB é economizar R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões, até 2025.

O banco aprovou ainda um Programa de Adequação de Quadros (PAQ) para otimizar a distribuição da força de trabalho, equacionando as situações de vagas e excessos em suas unidades, e um Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), disponível a todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos. Segundo o banco, impacto financeiro dos programas desligamento serão informados após o encerramento dos períodos de adesão, que ocorrerá até 5 de fevereiro.

Para o vice-presidente corporativo do BB, Mauro Neto, as medidas se somam a outras já em andamento para otimizar despesas e aumentar a eficiência operacional, como a devolução e venda de prédios corporativos, otimização de espaços, medidas de eficiência energética e novo plano de cargos e salários, que trarão R$ 3,3 bilhões em redução de despesas até 2025.

“As ações que anunciamos baseiam-se em captura de eficiência decorrente de investimentos em digitalização, incluindo robotização e inteligência artificial, e na centralização e simplificação de processos de backoffice, que nos permitem realocar mais recursos para a linha de frente de atendimento aos clientes e geração de novos negócios”, disse o executivo em nota enviada à reportagem. “Essas medidas buscam experiência mais leve e dinâmica aos nossos clientes e fortalecem o banco frente aos desafios presentes e futuros da indústria financeira.”

AVALIAÇÃO

Na visão do analista Henrique Esteter, da Guide Investimentos, o plano do banco é “bastante positivo” porque ataca “o maior gargalo do banco em comparação aos seus pares”, a ineficiência, associada por ele ao fato de o banco ser uma estatal utilizada da “maneira que bem se entendia por diversos governos”.

De forma geral, afirma Esteter, as economias expressivas que o BB prevê e a esperada adesão de funcionários aos programas de desligamento estão em linha com a busca por maior eficiência operacional e são uma “sinalização de que o banco vai seguir focando nessas medidas que tanto são aguardadas”.

Ao reduzir a presença no mundo físico e transformar a atuação de centenas de agências, o BB busca reforçar a atração de clientes digitais. O banco conta hoje com 22 milhões de clientes digitais e, segundo apurou o Estadão, pretende atrair pelo menos 5,5 milhões de novos clientes em 2021, repetindo o desempenho do ano passado.

“Em relação aos outros bancos, o BB é o que está mais atrasado em reestruturação, no foco no digital”, comenta o analista Vitor Miziara, executivo de alocação da Criteria Investimentos. “É uma notícia positiva atrasada, porque os demais já fizeram. É mais um indício de como o BB é engessado.”

Para Julia Monteiro, analista da MyCap, o plano acelera a digitalização da estatal e a coloca em paralelo aos seus pares privados, que também fizeram essas mudanças nos últimos anos. “Essa reorganização já era esperada. Os planos de demissão voluntária vão ser cada vez mais frequentes nos próximos dois anos e geram eficiência operacional importante”, comenta, destacando que o reinvestimento dos cortes de gastos deve ser direcionado para melhoria nas operações de tecnologia e a distância do BB.

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