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Balas usadas em ataque a vereadora são de lote de 2006 da Polícia Federal

Balas usadas em ataque a vereadora são de lote de 2006 da Polícia Federal
Participantes do Fórum Social fizeram ato contra o assassinato. Foto: Fernando Vivas/Folhapress

A munição usada no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) na quarta-feira (14) no Rio foi comprada pela Polícia Federal em dezembro de 2006 e pertence ao mesmo lote encontrado na maior chacina da história do estado de São Paulo, que deixou 17 mortos em agosto de 2015 em Osasco e Barueri.

Na época, a investigação da polícia paulista descobriu que parte das cápsulas achadas no local do crime pertencia ao lote UZZ-18, comprado pela PF de uma empresa privada. Três PMs e um guarda civil foram condenados pela chacina.

Não é possível dizer que esse grupo tenha relação com quem matou a vereadora carioca de 38 anos e seu motorista, Anderson Pedro Gomes, 39, já que desvios de munição comprada por órgãos oficiais não são raros, assim como a prática de reaproveitar cápsulas de projéteis já disparados.

Policiais envolvidos na investigação no Rio, porém, avaliam ser mais um elemento para reforçar a suspeita de envolvimento de agentes de segurança no crime, já que a munição tem origem em uma instituição oficial e havia sido utilizada em assassinatos cometidos por policiais.
Marielle e Anderson foram mortos com tiros de pistola 9 milímetros, modelo de arma usado por agentes públicos, em uma rua do Estácio.

Ativista de direitos humanos e crítica da violência policial, Marielle foi atacada dois dias antes de completar um mês da intervenção federal na segurança do Rio decretada pelo presidente Michel Temer. O comando das polícias e do setor penitenciário, desde então, está nas mãos do general Walter Braga Netto. A informação sobre a origem da munição usada no crime foi divulgada pelo RJ1, da TV Globo.

Carros

A polícia já tem convicção de crime premeditado e identificou dois carros envolvidos no assassinato – a placa de um deles estava adulterada. O carro que transportava Marielle foi seguido pelos dois veículos desde a saída da Casa das Pretas, na rua dos Inválidos, na Lapa, onde participou de debate.

Segundo imagens de câmeras de segurança, dois homens ficaram mais de duas horas em um dos carros aguardando a saída da vereadora. O veículo estava estacionado atrás do de Marielle. No período em que a vereadora participava do debate, os suspeitos foram vistos falando ao celular. Os carros deles trocaram sinais de farol logo após a saída da vereadora – e depois seguiram atrás dela.

Marielle foi morta quando um carro emparelhou e disparou ao menos 13 tiros. A parlamentar levou quatro tiros na cabeça. O veículo dela parou no muro dos fundos da policlínica da Polícia Civil.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que a munição foi roubada da PF e que, pelas informações preliminares, teriam sido desviadas da superintendência da instituição no Rio e da sede dos Correios na Paraíba.

Ato

Os atos contra o assassinato de Marielle Franco continuam. Nesta sexta, participantes do Fórum Social Mundial realizaram protesto no Centro de Salvador (BA). Já no Rio, milhares de pessoas foram à escadaria da Assembleia Legislativa, cantando “Marielle, presente, hoje e sempre”.

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